Líder da ONU condena o golpe na Guiné-Bissau: 'violação inaceitável dos princípios democráticos'
Situada entre a Guiné e o Senegal, a Guiné-Bissau já passou por quatro golpes de Estado desde a sua independência de Portugal em 1974.
O Secretário-Geral da ONU António Guterres está "profundamente preocupado" após as forças militares da Guiné-Bissau terem tomado o poder esta semana e deposto o presidente do país, disse o seu porta-voz na quinta-feira, pedindo uma "restauração imediata e incondicional da ordem constitucional."
"Ele salienta que qualquer desrespeito à vontade do povo que depositou o seu voto pacificamente durante as eleições gerais de 23 de novembro constitui uma violação inaceitável dos princípios democráticos", disse o Porta-voz Stéphane Dujarric em comunicado.
As forças armadas da Guiné-Bissau depuseram Umaro Sissoco Embaló e fecharam as fronteiras terrestres, marítimas e aéreas do país, alegando que havia um plano para "desestabilizar" a nação.
Um grupo de oficiais militares que se identificou como o "Alto Comando Militar para a Restauração da Segurança Nacional e da Ordem Pública" anunciou que "assumiu plenos poderes do Estado" em comunicado transmitido na televisão estatal.
Os militares suspenderam todas as atividades dos média, interromperam o processo eleitoral em curso, fecharam todas as fronteiras e impuseram um recolher obrigatório de nove horas a partir das 21h, hora local (21h00 GMT).
O golpe ocorreu quando tanto Fernando Dias, candidato independente, quanto o atual presidente Embaló reivindicaram a vitória na segunda-feira nas eleições presidenciais realizadas no fim de semana, enquanto o país aguardava os resultados.
Mais tarde, os militares nomearam um general como novo líder do país.
Situada entre a Guiné e o Senegal, a Guiné-Bissau já sofreu quatro golpes de Estado desde a independência de Portugal em 1974, além de várias tentativas de golpe. Os resultados eleitorais são frequentemente contestados.