Legisladores dos EUA alertam que os chips da Nvidia estão a reforçar a IA militar da China

A Comissão Especial sobre a China alega que os chips da Nvidia acabaram por reforçar as capacidades militares chinesas na área da inteligência artificial, através do apoio da empresa à startup chinesa de IA DeepSeek.

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A Nvidia, com sede na Califórnia, é a empresa mais valiosa do mundo devido à enorme procura pelos seus chips de inteligência artificial. / Reuters

Um grupo de legisladores dos EUA emitiu, na quinta-feira, um aviso sobre a permissão dada à gigante tecnológica Nvidia para vender chips avançados na China, alegando que o seu apoio à startup de IA DeepSeek ajudou a reforçar as capacidades militares chinesas.

“Quando a tecnologia da Nvidia acaba por alimentar o exército chinês, isso não é inovação; é uma falha de segurança”, afirmou a Comissão Especial sobre a China numa publicação na rede social X.

“Os produtos da Nvidia foram utilizados pela DeepSeek e acabaram por apoiar um modelo de IA usado pelo EPL”, afirmou, referindo-se ao Exército Popular de Libertação da China.

A Nvidia, sediada na Califórnia, é a empresa mais valiosa do mundo, devido à enorme procura pelos seus chips de inteligência artificial.

No entanto, tem ficado envolvida num confronto geopolítico entre os Estados Unidos e a China, à medida que ambos competem no sector da IA, em rápida evolução.

Um porta-voz da Nvidia reagiu às acusações, afirmando que a China “tem mais do que chips domésticos suficientes para todas as suas aplicações militares, com milhões de sobra”, e que “não faz sentido que o exército chinês dependa de tecnologia norte-americana”.

“Os críticos da administração estão, inadvertidamente, a promover os interesses de concorrentes estrangeiros”, acrescentou.

A publicação da comissão bipartidária, composta por 23 membros, incluía uma cópia de uma carta dirigida ao secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, na qual são detalhadas as alegações.

“Os documentos fornecidos à comissão revelam que a Nvidia prestou um apoio técnico alargado que permitiu à DeepSeek — agora integrada em sistemas do Exército Popular de Libertação (EPL) e considerada um risco comprovado para a cibersegurança — alcançar capacidades de IA de vanguarda”, refere o comunicado.

No ano passado, um modelo de IA generativa de baixo custo da chinesa DeepSeek, ao nível dos seus rivais norte-americanos, abalou as suposições sobre a predominância dos EUA neste sector em rápida evolução.

A carta da comissão, datada de quarta-feira, afirma que a Nvidia tratou a DeepSeek “como um parceiro comercial legítimo, merecedor de apoio técnico padrão”.

Mas a DeepSeek encaminha os dados dos cidadãos norte-americanos para o governo chinês “através de infraestruturas ligadas a uma empresa militar chinesa designada pelos EUA”, afirmou.

A carta mencionou ainda um relatório da Jamestown Foundation, de Outubro, que citava documentos de aquisição do EPL para concluir que o exército chinês estava a utilizar sistemas de IA desenvolvidos internamente, incluindo a DeepSeek, e planeava integrá-los em todas as suas operações.

 Os legisladores apelaram à emissão de “orientações esclarecedoras” sobre a decisão do Presidente Donald Trump de permitir a venda na China de um chip de IA de gama alta da Nvidia, o modelo H200, atenuando as restrições impostas pela administração do seu antecessor, Joe Biden.

Segundo os mesmos, devem ser tomadas medidas “para impedir que utilizadores finais proibidos obtenham o tipo de acesso que o EPL obteve através da DeepSeek”.