O Presidente da China, Xi Jinping, manifestou na sexta-feira confiança de que Taiwan irá “reunir-se” com o continente, ao receber em Pequim a líder da oposição taiwanesa, Cheng Li-wun.
“Compatriotas de ambos os lados são chineses, e precisamos de paz, precisamos de desenvolvimento, precisamos de comunicação e precisamos de cooperação. Este é um desejo comum”, afirmou Xi, segundo o South China Morning Post.
Xi disse que a tendência histórica de que “os compatriotas de ambos os lados do estreito se irão aproximar e reunir não mudará; isto é uma certeza da história, e estamos plenamente confiantes”.
Cheng, presidente do partido Kuomintang (KMT), visitou a província de Jiangsu e Xangai antes de viajar para a capital, segundo a agência estatal Xinhua. O KMT defende relações mais próximas com a China, que considera Taiwan parte do seu território e já ameaçou recorrer à força para o controlar.
A China interrompeu os contactos de alto nível com Taiwan em 2016, após Tsai Ing-wen, do Partido Democrático Progressista (DPP), ter vencido as eleições presidenciais e rejeitado as reivindicações de Pequim de que a ilha autónoma faz parte do seu território.
Durante a visita ao Mausoléu de Sun Yat-sen, em Nanjing, capital da província oriental chinesa de Jiangsu, Cheng prometeu “reconciliação” e “unidade” entre os dois lados do Estreito de Taiwan. Sun foi o fundador do seu partido.
O último líder do KMT a reunir-se com Xi foi há mais de uma década, quando o então presidente Eric Chu se encontrou com ele na China em 2015.
A visita é vista como um passo importante no diálogo e nas trocas entre o KMT e o Partido Comunista da China.
Cheng foi eleita presidente do KMT em outubro passado.
A visita ganha também relevância numa altura em que Xi se prepara para receber o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no próximo mês.
Washington tem sido o principal fornecedor de armamento a Taipé, tendo a administração Trump aprovado, no ano passado, um valor recorde de 11 mil milhões de dólares em vendas de armas, o que desencadeou protestos e uma reação negativa de Pequim, que também sancionou várias empresas norte-americanas de armamento, bem como os seus funcionários.
Separadamente, o líder taiwanês William Lai Ching-te afirmou na sexta-feira que o dia assinala o 47.º aniversário da Lei das Relações com Taiwan, “que há muito serve como um pilar das relações entre Taiwan e os Estados Unidos”.
Na rede social X, expressou confiança de que “a nossa parceria duradoura — abrangendo segurança, comércio, tecnologia e mais — continuará a impulsionar a inovação e a ajudar a salvaguardar a paz regional”.
Tóquio atenua descrição da China
Antes da visita, o Japão suavizou na sexta-feira a forma como descreve a China no seu Livro Azul Diplomático de 2026.
O relatório anual, apresentado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros Toshimitsu Motegi numa reunião do gabinete, refere-se à China como um “importante país vizinho”, em vez de “uma das relações bilaterais mais importantes”, como constava na edição de 2025, segundo a Kyodo News.
O relatório japonês afirma que a China intensificou “críticas unilaterais e medidas coercivas” contra o Japão em 2025, sublinhando, ao mesmo tempo, que Tóquio continua aberta ao diálogo.
A medida surge num contexto de relações bilaterais tensas desde o final do ano passado, quando a Primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi afirmou que qualquer ação militar chinesa contra Taiwan — incluindo um bloqueio naval — poderia ser considerada uma “situação que ameaça a sobrevivência”, permitindo ao Japão exercer o seu direito de autodefesa colectiva.









