A Netflix afirmou que não iria aumentar a sua oferta de aquisição pela Warner Bros. Discovery, cedendo na prática o gigante dos media a uma proposta rival da Paramount Skydance, depois de concluir que o negócio já não era financeiramente atrativo.
Os co-CEOs da plataforma de streaming, Ted Sarandos e Greg Peters, declararam na quinta-feira que estavam a “recusar igualar” a mais recente oferta da Paramount Skydance, após o conselho de administração da Warner Bros. Discovery a ter classificado como uma “Proposta Superior”, nos termos do acordo de fusão existente com a Netflix.
Este desenvolvimento deverá levar o histórico estúdio de Hollywood e um conjunto de activos televisivos, que inclui a CNN, a passar para as mãos da Paramount, reconfigurando o panorama dos media nos Estados Unidos.
Sem uma contraproposta da Netflix, o conselho de administração da Warner Bros. Discovery fica agora livre para rescindir o seu acordo com a plataforma de streaming e avançar com a Paramount.
A oferta revista, apresentada na segunda-feira, foi o mais recente capítulo de uma guerra de licitações que chamou a atenção da Casa Branca, com o Presidente Donald Trump a insistir que teria uma palavra a dizer no desfecho.
A proposta actualizada da Paramount inclui um preço de compra de 31,00 dólares por ação em numerário, um aumento de um dólar face à oferta anterior, que avaliava a empresa em cerca de 108 mil milhões de dólares.
A Paramount ofereceu ainda uma taxa de rescisão regulatória de 7 mil milhões de dólares caso o negócio não se concretize por motivos regulatórios, e concordou em suportar a indemnização de rutura de 2,8 mil milhões de dólares que a Warner Bros. Discovery teria de pagar à Netflix se abandonasse o acordo entre ambas.
Apoio financeiro da Oracle
De forma crucial, a proposta inclui também um compromisso do fundador da Oracle, Larry Ellison, de disponibilizar financiamento adicional, se necessário, para cumprir os requisitos de solvabilidade exigidos pelos bancos financiadores da Paramount.
Ellison é pai do CEO da Paramount Skydance, David Ellison, produtor de Hollywood, e financiou em grande medida a aquisição da Paramount pelo filho, bem como a subsequente proposta pela Warner Bros. Discovery.
Larry Ellison é também um aliado de longa data do Presidente Trump, e tanto a Paramount como a Netflix procuraram conquistar a boa vontade da Casa Branca.
Criando obstáculos para a Netflix, legisladores republicanos manifestaram-se contra a empresa durante o processo negocial, acusando-a de promover conteúdos pró-trans na sua plataforma, algo que o co-CEO Ted Sarandos negou veementemente.
Poucas horas antes de se retirar da disputa, Sarandos foi filmado a entrar na Casa Branca na quinta-feira para reuniões com responsáveis da administração, embora não com o Presidente, segundo a CNBC.
Uma vitória da Paramount significará que a CNN, frequentemente alvo de críticas e ameaças por parte de Trump, passará para o controlo da família Ellison, num contexto de críticas de que a aquisição da CBS, detida pela Paramount, resultou em alterações de pessoal mais alinhadas com as preferências da Casa Branca.















