Trump nomeia Kevin Warsh como próximo presidente da Reserva Federal dos EUA

A nomeação de Warsh para a Reserva Federal terá de ser confirmada pelo Senado dos Estados Unidos, onde será alvo de escrutínio, incluindo por parte de legisladores republicanos do próprio Presidente norte-americano, Donald Trump.

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Warsh, formado em Stanford University e Harvard Law School, é casado com Jane Lauder, da família conhecida pelo grupo de cosméticos Estee Lauder. / AP

O Presidente dos EUA, Donald Trump, nomeou na sexta-feira Kevin Warsh, antigo governador da Reserva Federal, para o cargo de próximo responsável pelo banco central norte-americano.

“Conheço o Kevin há muito tempo e não tenho qualquer dúvida de que ficará para a história como um dos GRANDES presidentes da Reserva Federal, talvez o melhor”, escreveu Trump na sua plataforma Truth Social.

“Além de tudo o resto, ele é ‘perfeito para o papel’ e nunca vos vai desiludir.”

Warsh foi durante muito tempo um opositor firme da inflação, mas alinhou entretanto as suas posições com as de responsáveis da administração Trump que defendem cortes agressivos das taxas de juro.

Trump fez o anúncio depois de a Reserva Federal ter mantido inalterada, esta semana, a sua taxa de referência, sob a liderança do presidente Jerome Powell, a quem o chefe de Estado voltou a atacar, chamando-lhe “idiota”.

Meses de ataques pessoais alimentaram receios generalizados entre os investidores de que a independência da política monetária da Reserva Federal esteja sob ameaça, o que poderá representar um risco inflacionista para a maior economia do mundo.

A queda em desgraça de Powell

Warsh superou três outros candidatos ao cargo: o governador da Fed Christopher Waller, Rick Rieder, do gigante de investimento BlackRock, e o principal conselheiro económico de Trump, Kevin Hassett.

Governador da Reserva Federal entre 2006 e 2011, Warsh foi anteriormente banqueiro de fusões e aquisições no Morgan Stanley.

Mais tarde, integrou a administração do ex-presidente George W. Bush, desempenhando funções como conselheiro de política económica da Casa Branca entre 2002 e 2006, antes de ser nomeado para o Conselho de Governadores da Fed.

Durante o seu primeiro mandato, Trump ponderou escolher Warsh para a presidência da Reserva Federal, mas acabou por optar por Powell.

Contudo, a queda em desgraça de Powell atingiu um novo patamar este mês, quando procuradores norte-americanos emitiram intimações contra o responsável, ameaçando uma acusação criminal — um passo sem precedentes, amplamente interpretado como uma escalada da campanha de Trump contra o banco central.

Já não um “falcão”

O mandato de Warsh como governador da Fed coincidiu com uma colaboração estreita com o então presidente Ben Bernanke, na definição das respostas de política monetária à crise financeira que abalou a economia mundial em 2008.

Tornou-se um elo fundamental de comunicação entre os decisores políticos e os mercados financeiros, mesmo quando passou a manifestar crescente cepticismo em relação a algumas das medidas da Fed — incluindo cortes nas taxas de juro para limitar os danos da crise.

Warsh demitiu-se do cargo de governador da Fed em 2011, vários anos antes do termo previsto do seu mandato, em 2018.

Na altura, era visto como um “falcão” da inflação, expressão usada para descrever decisores mais inclinados a dar prioridade à estabilidade de preços e a uma inflação baixa.

Tal posição traduz-se, regra geral, numa preferência por uma política monetária mais restritiva e por taxas de juro mais elevadas.

Alinhamento com as políticas de Trump

Nos últimos tempos, porém, Warsh intensificou as suas críticas à Reserva Federal, apoiando muitas das posições políticas defendidas por Trump e pela sua administração.

Num discurso proferido no ano passado, argumentou que a Fed se afastou da sua missão de política monetária, entrando em domínios políticos para os quais não tem competência.

Warsh sustentou ainda que escolhas políticas inadequadas por parte da Reserva Federal estão a impedir um maior crescimento da economia dos EUA.

Numa entrevista à Fox Business, defendeu cortes nas taxas de juro para estimular o crescimento, numa altura em que responsáveis da Fed afirmavam ser necessário avaliar o impacto potencial da vaga de tarifas impostas por Trump sobre a inflação.