UE deverá colocar a Guarda Revolucionária do Irão na 'lista das organizações de terrorismo'
Os Ministros dos Negócios Estrangeiros da UE estão prestes a colocar a Guarda Revolucionária Iraniana na lista negra, sinalizando uma forte escalada na pressão sobre Teerão devido às mortes em massa e à repressão ligadas à supressão dos protestos.
Os Ministros dos Negócios Estrangeiros da UE deverão chegar a acordo para incluir a Guarda Revolucionária Iraniana na «lista de organizações terroristas» do bloco, após uma repressão mortal a protestos em massa, afirmou a chefe da política externa da UE.
«Se agem como terroristas, também devem ser tratados como terroristas», afirmou a diplomata Kaja Kallas aos jornalistas na quinta-feira, antes da reunião dos ministros em Bruxelas.
Ela afirmou que esta medida coloca a Guarda Revolucionária ao mesmo nível de grupos terroristas como a Al Qaeda e o Daesh.
Esta medida simbólica da UE enviará uma forte mensagem de condenação ao Irão, depois de milhares de pessoas terem morrido durante os protestos que abalaram o país.
O bloco de 27 nações também deverá aprovar a proibição de vistos e o congelamento de bens de 21 entidades estatais e funcionários iranianos — entre os quais se espera que esteja o ministro do Interior do país — devido à repressão brutal.
A Guarda Revolucionária é o braço ideológico das forças armadas de Teerão e foi criada após a revolução de 1979 para proteger a liderança clerical. A Guarda controla ou detém empresas em toda a economia iraniana, incluindo setores estratégicos importantes.
«A estimativa é que os canais diplomáticos permanecerão abertos mesmo após a inclusão da Guarda Revolucionária na lista», disse Kallas.
Sem impunidade
A esperada luz verde para colocar a Guarda Revolucionária na lista negra surgiu depois de a França ter anunciado na quarta-feira que apoiava a medida, na sequência de uma mudança semelhante por parte da Itália.
Paris tinha sido amplamente vista como relutante em classificar a Guarda Revolucionária como um grupo terrorista devido aos receios quanto ao impacto sobre os europeus detidos no país e ao desejo de manter abertas as relações diplomáticas.
«Não pode haver impunidade para os crimes cometidos», disse o Ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noel Barrot, aos jornalistas à chegada a Bruxelas.
«Esta decisão é também um apelo da França às autoridades iranianas para que libertem os prisioneiros lançados aos milhares nas prisões do regime, para que ponham fim às execuções que perpetuam a repressão mais violenta da história moderna do Irão», afirmou.
Barrot instou Teerão a pôr fim ao bloqueio da Internet e a «devolver ao povo iraniano a capacidade de escolher o seu próprio futuro».
A UE já sancionou várias centenas de funcionários e entidades iranianas devido à repressão de movimentos de protesto anteriores e ao apoio de Teerão à guerra da Rússia com a Ucrânia.
A Guarda Revolucionária como um todo e os comandantes superiores já estão sob sanções da UE, o que significa que uma medida para adicioná-los à lista negra do terrorismo deverá ter pouco impacto prático sobre a organização.