Dez países africanos correm risco de serem afetados pelo vírus Ebola, além da República Democrática do Congo (RDC) e de Uganda, alertou a agência de saúde da União Africana.
"Temos 10 países em risco", disse Jean Kaseya, chefe do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC África), no sábado, listando Angola, Burundi, República Centro-Africana, República do Congo, Etiópia, Quénia, Ruanda, Sudão do Sul, Tanzânia e Zâmbia.
Exceptuando a Etiópia, todos os países listados como em risco fazem fronteira com a RDC ou com o Uganda, que já têm casos registados de Ébola.
O CDC África e a Organização Mundial da Saúde (OMS) também anunciaram um apelo de financiamento de mais de 314 milhões de dólares para financiar intervenções de resposta.
A maior parte do orçamento destina-se à RDC e ao Uganda, para tratamento, vigilância e prevenção do surto, enquanto os outros 10 países de alto risco receberiam 54 milhões de dólares em conjunto.
As intervenções destacadas incluem o estabelecimento de sistemas nacionais de gestão de incidentes e coordenação transfronteiriça nos países da região, aceleração da pesquisa sobre vacinas específicas para a variante Bundibugyo, mobilização de equipas adicionais e pré-posicionamento de stocks de emergência antes que a transmissão acelere.
A RDC registou um aumento nos casos de Ébola desde que um surto foi declarado a 15 de maio na província de Ituri.
A doença espalhou-se para as províncias de Kivu Norte e Kivu Sul.
Cerca de 750 casos suspeitos e 177 óbitos suspeitos foram notificados, segundo a OMS.
Pelo menos 82 casos e sete mortes foram confirmados na RDC.
Três novos casos foram anunciados no Uganda no sábado, elevando para cinco o total de casos confirmados desde o início do surto atual, de acordo com o Ministério da Saúde.
As autoridades da RDC suspenderam atividades sociais em Ituri, epicentro do surto, incluindo eventos desportivos, para evitar a propagação.
O General Johnny Luboya, governador militar, disse em comunicado que também proibiu ajuntamentos com mais de 50 pessoas em todas as zonas de saúde de Bunia, Rwampara, Mungwalu e Nyakunde, afetadas pelo aumento dos casos de Ébola.
A OMS elevou o nível de alerta para "muito alto" e vários países vizinhos intensificaram medidas preventivas para evitar a propagação do vírus, incluindo restrições a viagens originárias da RDC.









