O FBI despediu pelo menos meia dúzia de agentes ligados a uma investigação de 2022 sobre a retenção de documentos pelo Presidente Donald Trump na sua residência de Mar-a-Lago, noticiaram na quarta-feira os meios de comunicação norte-americanos, suscitando indignação por parte da associação que representa o pessoal da agência.
O FBI realizou uma busca à residência de Trump, na Florida, em 2022, quando este já não se encontrava em funções, no âmbito de uma investigação entretanto arquivada sobre o alegado manuseamento indevido de documentos confidenciais após o seu primeiro mandato na Casa Branca.
O diretor do FBI, Kash Patel, ordenou o despedimento de pelo menos seis agentes pelo seu trabalho no caso, segundo vários órgãos de comunicação social dos Estados Unidos.
O FBI recusou comentar.
Trump alegadamente manteve documentos confidenciais — que incluíam registos do Pentágono e da CIA — sem segurança adequada na sua residência de Mar-a-Lago e terá dificultado os esforços para os recuperar.
Os materiais incluíam documentos secretos relacionados com armamento nuclear e defesa, segundo os procuradores.
A juíza distrital dos Estados Unidos Aileen Cannon, nomeada por Trump, arquivou o processo relativo aos documentos em julho de 2024, decidindo que o antigo procurador especial Jack Smith tinha sido nomeado de forma ilegal.
O Departamento de Justiça recorreu da decisão de Cannon, mas abandonou o caso após Trump ter vencido as eleições presidenciais de novembro de 2024.
Trump negou igualmente qualquer irregularidade no caso, um de vários processos instaurados contra si após o seu primeiro mandato.
Outra investigação sobre alegações de tentativa de anular os resultados das eleições de 2020 foi também arquivada por Smith, em conformidade com a política do Departamento de Justiça de não acusar criminalmente um presidente em exercício.
A Associação de Agentes do FBI confirmou que ocorreram despedimentos, sem especificar o número, e condenou-os numa declaração por violarem “os direitos ao devido processo daqueles que arriscam as suas vidas para proteger” os Estados Unidos.
“Estas ações enfraquecem a agência ao retirar conhecimentos especializados essenciais e ao desestabilizar a força de trabalho, minando a confiança na liderança e comprometendo a capacidade da instituição para cumprir os seus objectivos de recrutamento — colocando, em última análise, a nação em maior risco”, afirmou a associação.
As notícias referem que os despedimentos ocorreram no mesmo dia em que Patel afirmou que as autoridades tinham obtido os seus registos telefónicos no âmbito das investigações relacionadas com Trump durante a administração Biden, quando não liderava a agência.
Trump tem, há muito, criticado as investigações conduzidas pela agência, incluindo os inquéritos a centenas dos seus apoiantes que invadiram violentamente o Capitólio dos Estados Unidos em 6 de janeiro de 2021.















