Ataque ao Irão é «injusto e ilegal», partido governante turco alerta para instabilidade regional

"Se tal ataque ocorre enquanto as negociações ainda estão a decorrer, isto sugere que as conversas eram apenas uma táctica", diz Omer Celik.

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A diplomacia não pode ser usada como cobertura para ataques previamente planeados, diz Omer Celik. / AA

A Türkiye afirmou que o Irão está a enfrentar “um ataque injusto e ilegal”, condenando os ataques em curso realizados pelos EUA e Israel por carecerem de qualquer legitimidade ao abrigo do direito internacional.

Falando em conferência de imprensa em Ancara na segunda-feira, o porta‑voz do Partido AK, Omer Celik, disse que o assalto ao Irão foi “injusto, contrário ao direito internacional e desprovido de legitimidade”, avisando que ataques militares enquanto as negociações diplomáticas continuam têm “consequências profundamente preocupantes”.

“A diplomacia não pode ser usada como cobertura para ataques previamente planeados”, disse ele. “Se as negociações estão em curso e tal ataque ocorre, transmite a mensagem de que as conversas foram meramente uma táctica.”

Celik apresentou condolências ao povo iraniano pelas vítimas civis relatadas, incluindo o bombardeamento de uma escola primária, bem como pelas mortes de altos responsáveis religiosos, militares e políticos. “O Irão está sob um ataque injusto e ilegal”, declarou, pedindo um regresso urgente à mesa de negociações.

Desestabilizando toda a região

Ele advertiu que visar a liderança de um Estado‑membro da ONU e discutir abertamente a mudança de regime desestabilizaria ainda mais a região. Tentativas de impor mudança de regime, afirmou, historicamente têm conduzido a guerras civis e a uma instabilidade prolongada.

“Intervenções realizadas sob o pretexto da segurança de Israel ou em apoio à agenda externa mais dura de Israel desestabilizaram toda a região”, disse ele, acrescentando que a ordem internacional pós‑Segunda Guerra Mundial corre o risco de erosão.

Tomando precauções

Ao expressar solidariedade com o povo iraniano, Celik também alertou Teerão para não expandir o conflito atingindo países terceiros.

“Deve haver uma distinção clara entre o direito à autodefesa e ações que possam desencadear uma guerra regional mais ampla”, disse ele.

Ele acrescentou que Ancara está a acompanhar de perto os desenvolvimentos e a preparar‑se para vários cenários, incluindo o risco de uma escalada regional.

As autoridades turcas, disse ele, estão a tomar precauções em quatro áreas‑chave: potenciais fluxos migratórios a partir da fronteira com o Irão, volatilidade económica ligada a rotas de energia como o Estreito de Ormuz, preparação de segurança nacional e a segurança de cidadãos turcos no estrangeiro.

“As nossas instituições estão a atuar em plena coordenação”, afirmou Celik, notando que embaixadas e consulados operam 24 horas por dia para assistir cidadãos turcos que queiram deixar os países afetados.

Os EUA e Israel lançaram um ataque contra o Irão no sábado, matando vários altos dirigentes iranianos, incluindo o líder Ali Khamenei.

Teerão retaliou com uma série de ataques com drones e mísseis visando Israel, ativos dos EUA e vários países do Golfo.