A vice-ministra dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Josefina Vidal, considera que o risco de agressão militar dos EUA contra a nação caribenha está a aumentar, numa altura em que as negociações entre os dois países permanecem estagnadas.
Falando numa audição legislativa no Capitólio Nacional, na quinta-feira, para denunciar as sanções dos EUA às importações cubanas de petróleo, Vidal acusou Washington de fabricar pretextos para apresentar Cuba como uma ameaça à segurança nacional norte-americana, de forma a justificar uma agressão.
“Todos os dias cresce o perigo de uma agressão militar contra Cuba”, afirmou.
Sob a presidência de Donald Trump, os EUA impuseram, na prática, um bloqueio a Cuba ao ameaçarem aplicar sanções a países que forneçam combustível à ilha, provocando cortes de energia e agravando a pior crise económica cubana das últimas décadas.
O Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou na quarta-feira estar confiante de que o diálogo entre os dois países, iniciado por volta de março, teria “um bom resultado”.
As autoridades cubanas disseram que não permitirão interferências nos assuntos internos do país e criticaram os EUA por falta de boa-fé.
“Continua aberto um canal de comunicação entre os dois governos, mas não houve muitos progressos. Temos razões para duvidar da seriedade e da responsabilidade do governo dos Estados Unidos”, declarou Vidal.
“Esperamos que o caminho do diálogo prevaleça neste momento, quando as ações agressivas que o governo dos EUA está a tomar contra Cuba levantam dúvidas quanto à seriedade e responsabilidade com que está a conduzir este processo”, acrescentou perante a comissão parlamentar.
“Banho de sangue”
O governo cubano prosseguia o diálogo, “mas não para que os EUA tentem controlar o destino de Cuba através de pressão, coerção e da ameaça de agressão militar”, acrescentou Vidal.
Na mais recente escalada da campanha de pressão de Trump contra o governo comunista cubano, os EUA acusaram formalmente o ex-presidente Raúl Castro de quatro crimes de homicídio relacionados com o abate, em 1996, de aeronaves civis operadas por exilados sediados em Miami.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Bruno Rodríguez, alertou que qualquer ação militar conduziria a um “banho de sangue”, no qual morreriam milhares de cubanos e norte-americanos.
Rodríguez apelou à comunidade internacional para prestar assistência urgente, de forma a evitar uma catástrofe na ilha, durante um discurso no Conselho de Segurança das Nações Unidas, na terça-feira.
O diretor da CIA, John Ratcliffe, realizou este mês uma reunião excecional em Havana com altos responsáveis cubanos.
O encontro ocorreu após conversações diplomáticas de alto nível em Havana, a 10 de abril — a primeira vez que um avião do governo dos EUA aterrou na ilha desde 2016.













