CIÊNCIA & TECNOLOGIA
3 min de leitura
Revolta contra a inteligência artificial nas universidades nos EUA está a aumentar
As administrações universitárias, que impuseram a utilização da inteligência artificial em todas as áreas, enfrentaram protestos veementes por parte dos estudantes e das suas famílias, devido a sistemas defeituosos e cortes orçamentais.
Revolta contra a inteligência artificial nas universidades nos EUA está a aumentar
Inteligência artificial (REUTERS)

Muitas universidades nos Estados Unidos estão a assinar acordos de milhões de dólares com empresas de inteligência artificial, numa altura em que enfrentam cortes orçamentais. A Universidade Estadual da Califórnia, apesar de ter adotado restrições orçamentais significativas, renovou o seu acordo de chatbot com uma empresa de inteligência artificial a custos mais elevados, assumindo assim um encargo de milhões de dólares.

Para as empresas de inteligência artificial, esta situação representa uma grande oportunidade para provar a aplicabilidade em massa das suas tecnologias no ensino superior, enquanto as universidades encaram este passo como um elemento de prestígio. No entanto, o facto de os orçamentos serem reduzidos nas atividades educativas propriamente ditas e transferidos para estas áreas está a aumentar o descontentamento dentro das instituições.

Fiasco tecnológico nas cerimónias de formatura

As falhas decorrentes da transferência de tarefas administrativas para a inteligência artificial vêm à tona com exemplos concretos. Na cerimónia de formatura do Glendale Community College, no Arizona, foi utilizado um sistema de inteligência artificial para ler os nomes dos alunos que subiam ao palco para receber os seus diplomas. No entanto, o sistema não conseguiu associar corretamente os nomes aos alunos no palco, exibindo informações erradas no ecrã.

A declaração feita pela direção da escola sobre esta confusão foi alvo de vaias e protestos por parte dos formandos e das suas famílias. Os estudantes consideraram que a delegação de uma tarefa tão humana à inteligência artificial, no dia mais importante das suas vidas, era uma demonstração de falta de sinceridade e indiferença.

A perda do toque humano na avaliação académica

A integração da inteligência artificial nos processos de educação e avaliação, para além das tarefas administrativas, acarreta riscos muito mais graves. Um estudo realizado pela Universidade de Cambridge revelou que os sistemas avançados de inteligência artificial apresentam resultados errados ao classificar os trabalhos e as dissertações dos alunos.

Verificou-se que os sistemas são excessivamente sensíveis a características linguísticas, como o comprimento do texto e a complexidade das estruturas das frases, em vez do conteúdo académico, pelo que atribuem notas baixas a trabalhos de qualidade que os humanos classificariam com notas altas e, inversamente, atribuem notas altas a trabalhos de fraca qualidade.

Os especialistas salientam que os processos de exame e avaliação não se resumem apenas à atribuição de notas, sendo o julgamento humano essencial para que o esforço dos alunos seja reconhecido e para que a relação de confiança na educação seja preservada.