Opinião
TÜRKİYE
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Türkiye é vital para a NATO e para a segurança e estabilidade regional, diz Kallas da UE
A principal chefe de política externa da UE, Kaja Kallas, apela à unidade da NATO, maior cooperação de defesa e um engajamento mais próximo com a Türkiye antes da próxima cimeira da aliança.
Türkiye é vital para a NATO e para a segurança e estabilidade regional, diz Kallas da UE
Kaja Kallas, da UE, falou à AA em Bruxelas sobre as relações Türkiye-UE, a Cimeira da NATO em Ancara, de 7 e 8 de julho. / AA

A responsável pela política externa da UE, Kaja Kallas, afirmou que a cimeira da NATO em Ancara é crucial, já que a aliança de defesa enfrenta desafios significativos, e que a unidade entre os aliados é mais importante do que nunca.

“Bem, claro que, antes de cada cimeira, diz-se que esta é histórica (sic), mas é verdade que, neste momento, penso que o que é muito importante, tal como referiu, é que as relações transatlânticas também têm estado sob forte pressão, e é por isso que demonstrar unidade é extremamente importante, não só para a aliança, mas também para os nossos adversários,” Kallas disse à Anadolu em entrevista na segunda‑feira, antes da sua visita à Türkiye, nos dias 29 e 30 de junho.

Kallas disse que viajaria com comissários europeus responsáveis pela ampliação e migração, dado o papel central do país em várias questões geopolíticas.

Ela afirmou que questões‑chave na agenda da NATO incluem aumentar a produção de defesa, reforçar capacidades de dissuasão e analisar “o que mais podemos fazer pela Ucrânia.”

Rejeitando sugestões de um exército europeu separado, disse que os Estados‑membros da UE já têm forças armadas nacionais que fazem parte da estrutura de defesa mais ampla da NATO.

“É impossível que cada Estado‑membro da UE crie outro exército que depois fique sujeito a uma liderança europeia,” declarou.

“As ameaças são regionais, por isso a resposta também deve ser regional,” acrescentou Kallas, apelando a um aumento do investimento em defesa e a uma coordenação mais estreita entre os países europeus.

Ela disse que a UE e a NATO mantêm contactos próximos para evitar duplicações e estão focadas em fortalecer o pilar europeu dentro da aliança.

Segundo Kallas, os membros estão a ser incentivados a seguir programas de aquisição conjunta porque certas capacidades são demasiado dispendiosas para um país adquirir sozinho.

Também destacou lições aprendidas com a guerra na Ucrânia, particularmente em áreas como defesa contra drones e tecnologias militares emergentes.

“Temos muito a aprender com a Ucrânia no que diz respeito às capacidades, novas capacidades como a defesa contra drones,” afirmou.

Türkiye tem papel proeminente na construção da paz

Kallas descreveu a Türkiye como “o segundo maior exército da NATO” e afirmou que o país tem “uma indústria de defesa muito forte.”

Acrescentou que a Türkiye tem “um papel muito, muito proeminente” na segurança europeia e na estabilidade regional.

“Definitivamente precisamos ter conversações com a Türkiye,” disse, referindo‑se aos desenvolvimentos no Cáucaso e ao ambiente de segurança mais amplo.

Ao mesmo tempo, Kallas disse que a questão de Chipre continua a ser um tema importante nas relações entre Ancara e Bruxelas.

Manifestou apoio aos esforços do Secretário‑geral da ONU, António Guterres, para promover o diálogo entre as partes.

“Acho que desbloquearia muitas questões se houvesse um acordo pacífico,” afirmou.

“A Türkiye é um parceiro de importância estratégica,” disse, citando a cooperação em migração, estabilidade regional e segurança.

Kallas afirmou que o país também desempenha um papel importante no Médio Oriente e no Cáucaso e que é um parceiro essencial em termos de conectividade e de questões regionais mais amplas.

“Se pensarmos no que está a acontecer no Médio Oriente, a Türkiye também tem um papel aí,” disse, acrescentando que a visita pretende explorar “o que podemos fazer em conjunto.”

Colonatos israelitas ilegais dificultam a solução de dois Estados

No Médio Oriente, Kallas disse que a Europa continua a ser uma forte defensora tanto dos palestinianos como da solução de dois Estados.

“O que vemos, os colonos violentos e os colonatos estão, de facto, a tornar impossível a solução de dois Estados,” disse.

Acrescentou que a UE tem levantado consistentemente essas questões com Israel e continua a defender o diálogo apesar das divergências.

Questionada sobre comentários relatados do ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Gideon Saar, indicando que não dialogaria com ela, Kallas disse que o diálogo continua necessário.

“Sabe, esta é uma questão difícil,” disse. “Mas acho que não é a resposta certa se não se for capaz de aceitar críticas.”

Enfatizou que o diálogo continua a ser a melhor forma de apresentar preocupações e “fazer ouvir a nossa voz.”

Kallas afirmou que o ambiente internacional se está a tornar cada vez mais complexo e exige uma cooperação estreita entre parceiros, tornando o envolvimento com países como a Turquia mais importante do que nunca.

“A estabilidade na região,” disse, “é uma das razões pelas quais o diálogo contínuo entre a UE e a Türkiye continua a ser essencial.”

As ações israelitas e as atividades de colonatos estão a tornar a solução de dois Estados cada vez mais difícil de alcançar, afirmou, sublinhando a importância estratégica da Türkiye na segurança regional, migração e cooperação em defesa.