EUA condicionam as garantias de segurança à retirada do Donbass, diz Zelensky
Kiev enfrenta pressão de Washington para ceder território no leste em troca de garantias de segurança a longo prazo, enquanto a guerra com o Irão altera as prioridades dos Estados Unidos.
Os Estados Unidos condicionaram a sua oferta de garantias de segurança para um acordo de paz na Ucrânia ao facto de Kiev ceder toda a região oriental do Donbass à Rússia, afirmou o Presidente Volodymyr Zelensky à Reuters numa entrevista.
Zelensky disse que Washington está a exercer pressão sobre a Ucrânia enquanto procura um fim rápido para a guerra que começou em 2022, sendo que o conflito no Médio Oriente está a influenciar as prioridades norte-americanas.
“O Médio Oriente tem definitivamente impacto no Presidente Donald Trump… ele continua a optar por uma estratégia de exercer mais pressão sobre o lado ucraniano”, afirmou.
Os Estados Unidos, a Rússia e a Ucrânia realizaram três rondas de negociações trilaterais este ano em Abu Dhabi e Genebra.
Zelensky afirmou que duas questões fundamentais continuam por resolver: quem financiaria as necessidades militares da Ucrânia e como os aliados responderiam a futuras agressões russas.
“Os norte-americanos estão preparados para finalizar estas garantias a alto nível assim que a Ucrânia estiver pronta para se retirar do Donbass”, disse.
A Rússia tem insistido que o controlo total do Donbass é central para os seus objectivos de guerra, embora analistas afirmem que o seu avanço tem sido lento.
Zelensky alertou que uma retirada enfraqueceria a Ucrânia e a Europa.
“Gostaria muito que o lado norte-americano compreendesse que a parte oriental do nosso país faz parte das nossas garantias de segurança”, afirmou.
Negociações incertas
Uma quarta ronda de negociações foi adiada devido à guerra com o Irão.
Zelensky disse que a Rússia está a apostar que Washington perderá interesse caso as negociações estagnem.
Apelou à realização de uma cimeira com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, para resolver questões-chave.
“Não sou uma caixa de chocolates… o Presidente dos Estados Unidos encara isto de forma mais pragmática”, afirmou.
Agradeceu ainda a Washington pela continuação do fornecimento de sistemas de mísseis Patriot, embora tenha referido que os fornecimentos continuam insuficientes.