EUROPA
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Tempestade Goretti atinge França e Reino Unido, deixando milhares de pessoas sem eletricidade
Uma forte tempestade atingiu França e o Reino Unido, cortando o fornecimento de eletricidade a cerca de 445.000 habitações, com ventos a ultrapassar os 200 quilómetros por hora e as autoridades a emitirem avisos de emergência.
Tempestade Goretti atinge França e Reino Unido, deixando milhares de pessoas sem eletricidade
Escolas fechadas com o agravamento das condições de inverno em toda a Europa do Norte. / Reuters

Ventos fortes atingiram França e o Reino Unido na sexta-feira, à medida que a tempestade Goretti avançava pelo norte da Europa, cortando o fornecimento de eletricidade a centenas de milhares de lares, num contexto de temperaturas invernais em queda.

Serviços de meteorologia desde o Reino Unido até à Alemanha apelaram à população para permanecer em casa, ao emitirem avisos meteorológicos, incluindo o raro alerta vermelho — o nível mais elevado — para vento nas ilhas Scilly e na Cornualha, no sudoeste de Inglaterra.

Em França, cerca de 380.000 habitações ficaram sem eletricidade, a grande maioria na região da Normandia do Norte, informou a empresa de distribuição Enedis, enquanto a BBC referiu que aproximadamente 65.000 casas ficaram sem energia no Reino Unido.

Durante a noite, foram registadas rajadas de vento de 216 e 213 quilómetros por hora na região francesa de Manche, no noroeste do país, segundo as autoridades.

As rajadas derrubaram árvores em várias regiões, tendo pelo menos uma caído sobre edifícios residenciais no departamento de Seine-Maritime, em França, sem causar feridos, indicaram as autoridades.

No Reino Unido, eram esperadas rajadas até 160 quilómetros por hora em algumas zonas, e “ondas muito grandes irão criar condições perigosas nas áreas costeiras”, alertou o serviço meteorológico britânico, o Met Office.

Foi igualmente emitido um aviso âmbar para queda de neve no País de Gales, no centro de Inglaterra e em partes do norte de Inglaterra, prevendo-se até 30 centímetros de neve em algumas áreas.

A National Rail do Reino Unido afirmou que os serviços ferroviários serão afectados nos próximos dois dias e apelou à população para evitar deslocações, salvo em caso de necessidade.

Escolas encerradas, perturbações nas deslocações

As escolas permaneceram encerradas no norte de França, onde foram emitidos alertas meteorológicos em mais 30 regiões.

“Procurem abrigo e não utilizem o vosso veículo”, alertou na quinta-feira a prefeitura de Manche na rede social X, apelando aos residentes para prepararem iluminação de emergência e reservas de água potável.

As actuais condições meteorológicas extremas na Europa já causaram pelo menos oito mortes e, na quinta-feira, a polícia da cidade albanesa de Durrës retirou o corpo de um homem das águas das cheias, após vários dias de neve intensa e chuva torrencial nos Balcãs.

Na Alemanha, a forte queda de neve e os ventos no norte do país deverão afectar escolas, hospitais e ligações de transporte.

Segundo o Serviço Meteorológico Alemão (DWD), poderão cair até 15 centímetros de neve no norte, existindo também risco de formação de gelo no sul.

As temperaturas poderão descer até aos -20 ºC em algumas zonas durante o fim de semana, disse à AFP o meteorologista do DWD, Andreas Walter.

Algumas regiões anunciaram o encerramento das escolas na sexta-feira, incluindo nas cidades do norte de Hamburgo e Bremen.

Em Hamburgo, as condições meteorológicas já tinham provocado atrasos e cancelamentos na rede de transportes públicos na quinta-feira.

A companhia ferroviária nacional, Deutsche Bahn, alertou para atrasos significativos nos próximos dias e mobilizou mais de 14.000 funcionários para remover a neve das linhas e das plataformas.

Consequência da crise climática

O DWD indicou que a tempestade deverá prolongar-se até sábado, com a queda de neve a cessar na segunda-feira.

Walter afirmou que a tempestade é uma exceção quando comparada com os últimos anos de invernos mais amenos, que são uma “consequência das alterações climáticas”.

“Ainda é possível haver um mês frio com neve, mesmo com o aumento das temperaturas devido às alterações climáticas, mas estes fenómenos tornar-se-ão mais raros no futuro”, concluiu.

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