MÉDIO ORIENTE
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Caos no transporte aéreo após confronto entre EUA-Israel com o Irão
A perturbação das viagens aéreas espalaha-se pelos continentes à medida que os ataques no Médio Oriente fecham os principais aeroportos e restringem o espaço aéreo regional.
Caos no transporte aéreo após confronto entre EUA-Israel com o Irão
Milhares de voos foram afetados em todo o Médio Oriente. / AP
1 de março de 2026

As viagens aéreas globais ficaram bastante afetadas no domingo, já que os ataques aéreos contínuos mantiveram fechados os principais aeroportos do Médio Oriente, incluindo Dubai, o hub internacional mais movimentado do mundo, num dos maiores abalos da aviação dos últimos anos.

Os principais aeroportos de trânsito, incluindo Dubai e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, e Doha, no Catar, foram encerrados ou severamente restringidos, uma vez que grande parte do espaço aéreo da região permaneceu fechado, com o Golfo a enfrentar incertezas após os ataques dos EUA e de Israel terem matado o líder supremo iraniano Ali Khamenei no sábado.

Israel afirmou ter lançado outra onda de ataques contra o Irão no domingo, enquanto explosões fortes foram ouvidas pelo segundo dia consecutivo perto de Dubai e sobre Doha, depois de o Irão ter lançado ataques aéreos de retaliação contra os Estados vizinhos do Golfo.

O Aeroporto Internacional de Dubai sofreu danos durante os ataques do Irão, enquanto os aeroportos de Abu Dhabi e Kuwait também foram atingidos.

Milhares de voos foram afetados em todo o Médio Oriente desde que os EUA lançaram os primeiros ataques ao Irão no sábado, de acordo com dados da FlightAware, uma plataforma de rastreamento de voos.

Efeito dominó

O encerramento dos aeroportos teve um efeito dominó muito além do Médio Oriente. Dubai e a vizinha Doha situam-se na encruzilhada das viagens aéreas entre o Oriente e o Ocidente, canalizando o tráfego de longo curso entre a Europa e a Ásia através de redes de voos de ligação com horários muito apertados. Com esses hubs inativos, as aeronaves e as tripulações ficaram retidas fora de posição, perturbando os horários das companhias aéreas em todo o mundo.

«É o grande volume de pessoas e a complexidade», disse o analista de aviação John Strickland, do Reino Unido.

«Não são apenas os clientes, são as tripulações e as aeronaves em todos os lugares.»

Companhias aéreas na Europa, Ásia e Médio Oriente cancelaram ou redirecionaram voos para evitar o espaço aéreo fechado ou restrito, prolongando as viagens e aumentando os custos de combustível. A perturbação foi intensificada pela perda das rotas de sobrevoo do Irão e do Iraque, que se tornaram mais importantes desde que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia obrigou as companhias aéreas a evitar o espaço aéreo de ambos os países.

O encerramento do espaço aéreo do Médio Oriente estava a forçar as companhias aéreas a utilizar corredores mais estreitos, com os combates entre o Paquistão e o Afeganistão a acrescentarem um risco adicional, afirmou Ian Petchenik, diretor de comunicações da Flightradar24.

«O risco de perturbações prolongadas é a principal preocupação do ponto de vista da aviação comercial», disse Petchenik.

«Qualquer escalada no conflito entre o Paquistão e o Afeganistão que resulte no encerramento do espaço aéreo terá consequências drásticas para as viagens entre a Europa e a Ásia.»

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