Rússia afirma que não fará concessões em pontos-chave do acordo com a Ucrânia
O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros afirma que Moscovo continua comprometida com os princípios acordados com os EUA em Anchorage.
O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Ryabkov, afirmou que concessões em questões fundamentais para Moscovo no que diz respeito à resolução do conflito na Ucrânia estão fora de questão.
Em conferência de imprensa em Moscovo, Ryabkov disse que a Rússia continua a aderir aos princípios partilhados com os Estados Unidos numa reunião presidencial em Anchorage, no Alasca, em agosto.
“Não pode haver concessões, nem abandono das nossas abordagens para resolver os principais problemas que enfrentamos, incluindo no contexto da ‘operação militar especial’. Saliento que os vários elementos dos acordos de Anchorage representam, por si só, soluções de compromisso”, afirmou.
Ryabkov disse que a Rússia se opõe à discussão pública dos detalhes do plano do Presidente dos EUA, Donald Trump, para uma resolução do conflito na Ucrânia, porque tal debate poderia prejudicar o processo de paz.
“Estamos comprometidos com os resultados de Anchorage e continuaremos a operar dentro destes parâmetros, correlacionando os desenvolvimentos actuais com as diretrizes fundamentais formuladas pelos dois presidentes lá”, disse.
Questionado sobre os contactos entre o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov, e o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, Ryabkov disse que eles podem ser organizados rapidamente, se necessário.
Plano americano
Washington está actualmente envolvida com Moscovo e Kiev num novo plano que desenvolveu para pôr fim à guerra.
A Rússia lançou a sua “operação militar especial”em fevereiro de 2022 para o que chama de “desnazificação” e “desmilitarização” da Ucrânia.
Além de impor limites às forças armadas ucranianas e bloquear a adesão à NATO, Moscovo também quer que a língua russa receba estatuto oficial na Ucrânia.
Comentando o estado das relações com os EUA, Ryabkov disse que as ações de Washington continuam “inconsistentes”, apesar de uma mudança declarada em direção à normalização.
“Foi formado um certo conjunto de entendimentos russo-americanos que, sob certas condições, poderia servir de base para um acordo político e diplomático abrangente subsequente”, disse.
No entanto, afirmou que o fornecimento contínuo de armas e informações de inteligência a Kiev contradiz esse processo.
Ryabkov acrescentou que a Rússia compreende as complexidades internas que os EUA enfrentam e está a demonstrar paciência no diálogo.
As relações russo-americanas continuam numa fase inicial de normalização, sem progressos na retoma do tráfego aéreo ou na devolução de propriedades diplomáticas russas.
Referindo-se ao fim do Tratado de Redução Estratégica de Armas Ofensivas (START) em fevereiro, Ryabkov alertou que a segurança global se deteriorará drasticamente se os EUA não aceitarem a proposta da Rússia sobre restrições após o término do tratado.
Em 22 de setembro, o Presidente russo Vladimir Putin disse que Moscovo estava disposta a aderir às limitações quantitativas centrais do START por um ano após o seu término em 5 de fevereiro de 2026, mas somente se Washington retribuísse.