Irão afirma que foram violadas cláusulas fundamentais do acordo antes das negociações de paz

Presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que os ataques no Líbano, os drones no espaço aéreo iraniano e a recusa em reconhecer o direito de Teerão ao enriquecimento de urânio tornaram mais difíceis as negociações futuras.

By
Presidente do Parlamento Iraniano Mohammad Bagher Ghalibaf. [ARQUIVO]. / Reuters

O Presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse numa publicação no X que a 'base viável sobre a qual negociar' um cessar‑fogo entre Teerão e Washington já havia sido violada, tornando as conversas adicionais 'irrazoáveis'.

Ele sugeriu que a infração complica negociações futuras entre o Irão e os EUA, refletindo a preocupação de Teerão com o cumprimento dos termos do cessar‑fogo.

Ghalibaf listou três supostas violações americanas do plano de trégua: os ataques contínuos no Líbano, um drone que entrou no espaço aéreo iraniano e a negação do direito do país ao enriquecimento.

O desenvolvimento ocorre quando um frágil cessar‑fogo entre Irão e EUA entrou no segundo dia na quinta‑feira, enquanto Israel lançou uma campanha maciça de bombardeamentos no Líbano.

Washington e Teerão reivindicaram vitória depois de concordarem com um cessar‑fogo de duas semanas e negociações destinadas a pôr fim a uma guerra que já matou milhares no Médio Oriente e provocou perturbações económicas globais.

Mas as falhas no acordo surgiram rapidamente na quarta‑feira, quando Israel realizou os seus ataques mais intensos ao Líbano vizinho, inclusive em Beirute central, densamente povoada. O número de mortos pelos ataques israelitas no Líbano subiu para 254, com 1165 feridos, segundo a Proteção Civil libanesa, marcando um dos dias mais mortais.

Israel afirmou que os seus ataques no Líbano não faziam parte da trégua EUA‑Irão acordada na noite de terça‑feira, argumento ecoado pelo Vice‑presidente dos EUA JD Vance, dias antes de ele conduzir negociações com Teerão no Paquistão.

Um momento de 'verdadeira esperança'

Acrescentando à fragilidade do cessar‑fogo, acordado horas antes de um prazo estabelecido pelo Presidente dos EUA Donald Trump, um alto funcionário norte‑americano disse que o plano de 10 pontos do Irão não era o mesmo conjunto de condições que a Casa Branca tinha aprovado para suspender a guerra.

No Líbano, onde o chefe de direitos humanos da ONU Volker Turk qualificou a escala das mortes como 'horrífica', ataques pela capital Beirute, sem aviso, provocaram cenas de horror e pânico.

A Guarda Revolucionária do Irão advertiu que 'cumprirá o seu dever e dará uma resposta' se Israel não cessar seus ataques. As declarações ocorreram antes de conversas de alto risco no Paquistão previstas para sexta‑feira.

Relatos sugeriram que o Estreito de Ormuz foi novamente fechado apesar do cessar‑fogo, algo que a Casa Branca considerou 'completamente inaceitável'.

O Irão anunciou rotas alternativas para navios que atravessam o Estreito de Ormuz na quinta‑feira, citando o risco de minas marítimas na principal via de navegação.

O Primeiro‑ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, cujo país mediou o cessar‑fogo, instou todas as partes a 'exercer contenção e respeitar o cessar‑fogo por duas semanas' para permitir que a diplomacia avance.

Em Teerão, as ruas estavam mais calmas do que o habitual na quarta‑feira, com muitas lojas fechadas após uma longa e ansiosa noite para os residentes que temiam um ataque maciço dos EUA. 'Todos estão mais tranquilos agora', disse Sakineh Mohammadi, uma dona‑de‑casa de 50 anos, acrescentando que estava 'orgulhosa' de seu país.

'Estamos mais relaxados.'

Na quarta‑feira, os líderes de várias nações europeias, do Canadá e do Reino Unido disseram que 'um fim rápido e duradouro para a guerra' deve ser negociado, enquanto o Papa Leão saudou um momento de 'verdadeira esperança'.