Presidente Lula do Brasil apelou à ação global contra alterações climáticas e fim do negacionismo

O Presidente brasileiro pressionou para que o Acordo de Paris seja protegido, a fim de travar as alterações climáticas.

Presidente Lula: "A negação com que nos deparamos não se refere apenas ao clima, é multifacetada" / AP

O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, apelou na quarta-feira à proteção do Acordo de Paris contra o negacionismo e o unilateralismo, a fim de garantir a ação global na luta contra as alterações climáticas.

Falando na Cimeira Climática da ONU em Nova Iorque, o presidente brasileiro exortou todos os países a cumprir o Acordo de Paris e a apresentar as suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC). Esta medida, incluída no Acordo de Paris, obriga os países a tomar medidas concretas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa de acordo com as suas capacidades nacionais e industriais.

Lula disse que “As NDC são o mapa do caminho que guiará cada país nessa mudança”. O discurso de Lula seguiu-se às declarações feitas pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, um dia antes na Assembleia Geral da ONU.

No seu discurso de uma hora, Trump pediu o encerramento das fronteiras e classificou as mudanças climáticas como uma farsa.

O líder republicano retirou os EUA do Acordo de Paris durante o seu primeiro mandato e, desde então, tem se oposto às políticas dos ambientalistas que defendem a necessidade de medidas mais rigorosas contra as alterações climáticas globais.

“O negacionismo que enfrentamos não é apenas climático, mas também multilateral. Ninguém está a salvo dos efeitos da mudança do clima. Muros nas fronteiras não vão conter secas e tempestades. A natureza não se curva a bombas nem a navios de guerra. Nenhum país está acima do outro. O risco do unilateralismo é a reação em cadeia que ele provoca”, afirmou Lula.

Lula também destacou que uma das principais promessas do seu governo é o plano do Brasil de acabar com o desmatamento na Amazónia até 2030 e lembrou que o Brasil foi o segundo país a apresentar uma nova NDC.

“Se não tomarmos uma decisão, a sociedade vai parar de acreditar nos seus líderes e, em vez de fortalecermos a luta contra o aquecimento global, vamos ajudar a alimentar o descrédito da política, do multilateralismo e da democracia. E todos nós perderemos, porque o negacionismo pode prevalecer”, acrescentou Lula.