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Mais de 65.000 colonos israelitas ilegais entraram no complexo da Mesquita de Al-Aqsa em 2025
Segundo um relatório, Israel está a intensificar incursões ilegais em Al-Aqsa e a reforçar políticas consideradas como estando a minar os direitos dos palestinianos e o estatuto de Jerusalém.
Mais de 65.000 colonos israelitas ilegais entraram no complexo da Mesquita de Al-Aqsa em 2025
Um grupo de políticos israelitas, incluindo o Ministro Itamar Ben-Gvir, invade o complexo da Mesquita de Al-Aqsa em maio de 2025. [Arquivo] / AA
há 16 horas

Mais de 65.000 colonos israelitas ilegais entraram no complexo da Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém Oriental ocupada, em 2025, assinalando um aumento de 22% em comparação com o ano anterior, segundo um relatório.

Os números foram publicados no relatório anual da Fundação Internacional de Jerusalém, elaborado com base nos dados da Administração do Waqf Islâmico em Jerusalém Oriental ocupada.

De acordo com o relatório, 65.364 pessoas entraram no local ao longo do ano, enquanto as visitas envolvendo figuras políticas israelitas também registaram um aumento significativo.

A fundação observou que o Ministro de Israel da Segurança Nacional de extrema-direita, Itamar Ben-Gvir, esteve entre os políticos que invadiram o complexo, juntamente com vários membros do parlamento.

O número dessas incursões políticas aumentou de nove incidentes em 2024 para 20 em 2025.

O relatório indica que as autoridades israelitas introduziram novas medidas que afectam o acesso ao local, incluindo o alargamento do horário de visitas, o aumento do tamanho dos grupos de 120 para 200 participantes e a redução dos intervalos entre entradas.

Estas medidas foram descritas como tentativas de alterar o status quo de longa data no recinto sagrado e de impor uma nova realidade no local.

Revogação de identidade

Para além dos desenvolvimentos em Al-Aqsa, o relatório refere que as políticas israelitas de revogação de autorizações de residência e de documentos de identificação em Jerusalém continuaram, recordando que 14.929 palestinianos perderam o seu estatuto de identificação entre 1967 e 2024.

O documento destaca também pressões relacionadas com a educação, apontando para a falta de cerca de 1.500 salas de aula em Jerusalém Oriental ocupada e confirmando que aproximadamente 27% dos estudantes palestinianos entre os 6 e os 17 anos estavam inscritos no currículo israelita.

A fundação alertou que o período actual representa um ponto de viragem naquilo que classificou como esforços direcionados à identidade de Jerusalém, referindo o que descreveu como uma intensificação das políticas de “judaização”.

Acrescentou ainda que cerca de 77% das famílias em Jerusalém Oriental ocupada vivem abaixo do limiar de pobreza.

O relatório reflete igualmente a perspetiva palestiniana de que Israel está a acelerar medidas destinadas a remodelar Jerusalém Oriental ocupada, incluindo o complexo de Al-Aqsa, e a apagar o caráter árabe e islâmico da cidade.

Os palestinianos, citando resoluções internacionais que não reconhecem a ocupação israelita da cidade em 1967 nem a sua anexação em 1980, continuam a considerar Jerusalém Oriental como a futura capital de um Estado palestiniano.

Entretanto, dados israelitas indicam um número mais elevado, afirmando que 76.448 “visitantes judeus” entraram no complexo em 2025, representando um aumento de 31% em relação ao ano anterior.

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