EUROPA
2 min de leitura
Grupo de direitos humanos pede que a Hungria prenda Netanyahu antes de visita
Um grupo de direitos humanos afirma que a Hungria permanece como membro do Tribunal Penal Internacional (TPI) e ainda está obrigada a prender e entregar indivíduos procurados pelo tribunal.
Grupo de direitos humanos pede que a Hungria prenda Netanyahu antes de visita
Em 2024, o TPI emitiu um mandado de prisão para Netanyahu por crimes de guerra em Gaza. / AP
há 11 horas

Na véspera de uma visita planeada, a Human Rights Watch na sexta-feira pediu às autoridades húngaras que prendam o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu se ele entrar no país.

A visita, prevista para começar no sábado, ocorre semanas antes das eleições gerais da Hungria, em 12 de abril.

“Apesar da sua intenção de deixar o TPI (Tribunal Penal Internacional), a Hungria continua a ser um país membro e ainda está obrigada a prender e entregar pessoas procuradas pelo tribunal”, disse Alice Autin, investigadora de justiça internacional da Human Rights Watch.

“Ao desrespeitar essa obrigação, pela segunda vez em menos de um ano, a Hungria aprofunda ainda mais a impunidade por crimes graves na Palestina e mais uma vez trai as vítimas que têm sido privadas de justiça por demasiado tempo”, acrescentou ela.

A solicitação surge depois que a TPI emitiu um mandado de prisão contra Netanyahu e o então Ministro da Defesa Yoav Gallant, em 2024, por supostos crimes contra a humanidade e crimes de guerra em Gaza desde outubro de 2023.

Ambos permanecem procurados pela TPI.

Retirada do tratado da TPI

Netanyahu visitou anteriormente a Hungria em abril de 2025 sem ser detido. A Hungria anunciou formalmente sua intenção de se retirar do tratado da TPI, com efeito a partir de 2 de junho, gerando críticas de juristas internacionais e da sociedade civil.

A Human Rights Watch também criticou os contínuos ataques militares israelitas no Líbano, em Gaza e contra o Irão, ressaltando a “necessidade urgente de respeitar o Estado de direito e apoiar vias credíveis para a justiça.”

A organização também pediu aos Estados-membros da UE e do TPI que pressionem a Hungria a reverter a sua retirada e a cooperar com o tribunal.

“O silêncio e a persistente inação da UE correm o risco de enviar uma mensagem perigosa de consentimento, enquanto o governo israelita continua a ser responsável por atrocidades”, disse Autin.

Israel, em outubro de 2024, iniciou uma guerra genocida de dois anos em Gaza, matando mais de 71 000 pessoas, ferindo mais de 172 000 e destruindo cerca de 90% da infraestrutura civil do enclave, com custos de reconstrução estimados pela ONU em cerca de 70 mil milhões de dólares.

Apesar de uma trégua em outubro de 2025, Israel continuou os seus ataques diários, matando pelo menos 677 palestinianos e ferindo 1813 outros desde o cessar-fogo, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.

RelacionadoTRT Português - Hungria aprova projecto de lei para sair do Tribunal Penal Internacional