O Irão afirmou na segunda-feira que não está a participar em negociações com os Estados Unidos, rejeitando a afirmação do presidente Donald Trump de que as conversações iriam começar, ao mesmo tempo que confirmou que está a colaborar com Omã para estabelecer uma rota marítima temporária através do Estreito de Ormuz.
Numa conferência de imprensa semanal, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmaeil Baqaei, afirmou que as discussões de Teerão com Mascate se centram em garantir a navegação segura através desta via navegável estratégica.
«Não estamos a manter negociações com os Estados Unidos», afirmou Baqaei, segundo a agência de notícias semioficial Fars.
No domingo, Trump tinha dito aos jornalistas a bordo do Air Force One que as negociações com o Irão teriam início na tarde de segunda-feira e manifestou otimismo quanto à possibilidade de se chegar em breve a um acordo sobre o Estreito de Ormuz e a «desnuclearização» do Irão.
O presidente dos EUA afirmou ter cancelado um ataque militar previsto para sexta-feira, após discussões que envolveram a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Catar e o Irão, alegando que os países da região acreditavam que «um acordo é iminente».
Negociações com Omã
Baqaei afirmou que as negociações do Irão com Omã têm como objetivo estabelecer uma rota marítima temporária através do Estreito de Ormuz para salvaguardar a navegação comercial.
«Estamos a trabalhar para estabelecer uma rota temporária, em cooperação com Omã, o mais rapidamente possível, para que possamos garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz», afirmou.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, afirmou no domingo que as negociações com Omã se encontravam na fase final, enquanto Baqaei salientou que as conversações eram bilaterais e não envolviam qualquer outro país.
Afirmou que as discussões sobre a futura gestão do Estreito de Ormuz já se encontravam em curso há algum tempo e que, ao abrigo do memorando de entendimento com os Estados Unidos que pôs fim ao recente conflito, se esperava que o Irão coordenasse os futuros acordos com Omã e os Estados da região.
Segundo Baqaei, a nova rota em discussão seria diferente tanto da atual rota marítima do norte como da rota do sul, que, segundo Teerão, compromete os seus interesses de segurança.
Ele salientou que chegar a um acordo com Omã «não significa que o Estreito de Ormuz vá ser aberto ou permanecer fechado», acrescentando que o Irão continuaria a agir de acordo com os seus interesses nacionais.
Baqaei afirmou ainda que a situação no Estreito de Ormuz «não mudará enquanto os Estados Unidos continuarem com os seus atos de agressão e o seu bloqueio».
Não houve qualquer comentário imediato por parte de Omã relativamente às declarações iranianas.





















