TÜRKİYE
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Fidan afirma que Israel está à procura de novos inimigos para reparar a sua imagem danificada
O Ministro dos Negócios Estrangeiros da República da Türkiye avaliou a postura de Israel no Médio Oriente.
Fidan afirma que Israel está à procura de novos inimigos para reparar a sua imagem danificada
Ministro dos Negócios Estrangeiros da República da Türkiye, Hakan Fidan (ARQUIVO)

Numa entrevista concedida a um canal privado de televisão, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da República da Türkiye, Hakan Fidan, afirmou que a hostilidade em relação a Israel está a aumentar em todo o mundo, desde os campus universitários até aos meios de comunicação social. “Estão a cometer massacres à vista de todos. Desempenham, de forma evidente, um papel desestabilizador em todo o lado. Antigamente conseguiam ocultar esse papel desestabilizador com uma ou duas simples operações mediáticas. Agora já não o conseguem esconder”, declarou.

Fidan afirmou que a administração de Telavive procura um novo inimigo para tentar recuperar a sua imagem desgastada. “Enquanto Israel, ou qualquer outro ator, entrar em conflito com os nossos interesses nacionais e regionais, não temos qualquer motivo para ter medo, hesitar ou recuar. Não temos qualquer problema com isso. O confronto faz parte do nosso trabalho, não é esse o problema. O problema é que Israel não é apenas um problema meu, é um problema do mundo”, afirmou.

Sublinhando que Israel se tornou um problema comum não apenas da Türkiye, mas de toda a comunidade internacional, Hakan Fidan prosseguiu:

“Estas pessoas tornaram-se um fardo que a humanidade já não consegue suportar. Com estas políticas e esta mentalidade, a humanidade não consegue suportá-los. A consciência da humanidade não o suporta; os sistemas políticos e económicos também não. Seja qual for a perspetiva adotada, já não existe qualquer parâmetro que permita sustentar estas pessoas. Por isso, quando a comunidade internacional me pergunta, respondo sempre: “Porque fazem disto apenas o meu problema?” Posso ser o único país que fala alto e se opõe a isto, mas este problema é de todos. Se querem que eu resolva sozinho um problema que pertence a todos, então todos terão de assumir a sua responsabilidade, adotar uma posição diplomática e impor as sanções necessárias a essas pessoas.”

Neste contexto, Fidan recordou que a Türkiye decidiu suspender um volume de comércio de cerca de 10 mil milhões de dólares com Israel, sublinhando que o objectivo da medida não era provocar diretamente o colapso da economia israelita, mas transmitir uma forte mensagem política.

O ministro chamou ainda a atenção para o facto de os países europeus terem imposto, pela primeira vez na história, restrições à venda de armas a Israel.

“Isto acontece pela primeira vez. Devido ao Holocausto, Israel representava um peso na consciência da Europa, e explorou essa situação até ao limite. Foi por isso que existiu uma tolerância ilimitada para com Israel. Agora vemos essa tolerância a desaparecer. Estão a ser impostas proibições de viagem e emitidos mandados de detenção contra políticos radicais israelitas, sobretudo devido às políticas aplicadas na Cisjordânia. O Tribunal Penal Internacional emitiu mandados de detenção contra Netanyahu e os seus colaboradores. Ou seja, a humanidade e a comunidade internacional estão, de facto, a fazer aquilo que podem.”

Referindo-se ainda aos intensos debates no seio da União Europeia sobre a adoção de uma posição mais firme em relação a Israel, Hakan Fidan concluiu: “Não acredito que, daqui para a frente, as coisas lhes continuem a correr com tanta facilidade. Já não estão numa posição em que tudo lhes seja permitido. Chegaram ao limite do caminho que escolheram. Israel deu um tiro no próprio pé. Todos nós o dizemos. E Netanyahu acabou por infligir o maior dano possível à sua própria sociedade.”