Pelo menos 16 mortos durante semana de protestos no Irão, denuncia grupo de direitos humanos
Protestos contra a inflação galopante espalharam-se pelo país, gerando avisos dos EUA e expressões de apoio por parte de Israel.
Pelo menos 16 pessoas foram mortas durante uma semana de agitação no Irão, disseram grupos de direitos humanos no domingo, enquanto protestos contra a subida da inflação se espalhavam pelo país, provocando confrontos violentos entre manifestantes e forças de segurança.
Mortes e prisões foram relatadas ao longo da semana tanto pela média estatal quanto por grupos de direitos humanos, embora os números tenham diferido. A Reuters não conseguiu verificar os números de forma independente.
Os protestos são os maiores em três anos e, embora menores do que algumas ondas anteriores de agitação que abalaram o país, ocorrem num momento de vulnerabilidade, com a economia despedaçada e pressão internacional crescente.
Líder Supremo diz que o Irão não cederá ao inimigo
O Presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou acudir os manifestantes caso eles sejam vítimas violência, dizendo na sexta-feira "estamos prontos e armados, preparados para agir", sem especificar que ações tinha em mente.
A advertência provocou ameaças de retaliação contra forças dos EUA na região por parte de altos funcionários iranianos, e o Líder Supremo Ali Khamenei disse que o Irão "não cederá ao inimigo".
No domingo, o genocida israelita Benjamin Netanyahu também expressou apoio aos manifestantes iranianos.
"Estamos solidários com a luta do povo iraniano e com as suas aspirações por liberdade, autonomia e justiça", disse Netanyahu na reunião semanal do gabinete.
"É muito possível que estejamos diante de um momento em que o povo iraniano está a assumir o seu destino pelas próprias mãos", disse ele, segundo um comunicado do seu gabinete.
Vítimas aumentam enquanto o Irão tem como alvo os organizadores de protestos
A HRANA, uma rede de ativistas de direitos, disse que pelo menos 16 pessoas foram mortas e 582 foram presas.
O chefe da polícia do Irão, Ahmad-Reza Radan, disse aos média estatais que as forças de segurança prenderam líderes dos protestos nos dois dias anteriores, afirmando que "um grande número de líderes no espaço virtual foi detido".
Os confrontos mais intensos foram relatados nas partes ocidentais do Irão, mas também houve protestos e confrontos entre manifestantes e polícia na capital Teerão, em áreas centrais e na província meridional do Baluchistão.
Já no final de sábado, o governador de Qom, o centro conservador do estabelecimento clerical xiita do Irão, disse que duas pessoas foram mortas durante a agitação, acrescentando que uma delas morreu quando um artefato explosivo que fabricou explodiu prematuramente.
A HRANA e a agência de notícias Tasnim, ligada ao Estado, relataram que as autoridades detiveram o administrador de contas online que incentivavam os protestos.
Moeda perdeu cerca de metade do valor
Os protestos começaram há uma semana entre comerciantes de bazares e lojistas, antes de se espalharem para estudantes universitários e, em seguida, para cidades provinciais, onde alguns manifestantes têm entoado slogans contra os governantes clericais do Irão.
O Irão tem a inflação acima de 36% desde o início do seu ano, em março, e a moeda, o rial, perdeu cerca de metade do seu valor em relação ao dólar, causando dificuldades para muitas pessoas.
Ume vez que as sanções internacionais devido ao dispendioso programa nuclear do Irão foram reimpostas, o governo enfrentou dificuldades para fornecer água e eletricidade pelo país ao longo do ano, e organismos financeiros globais preveem uma recessão em 2026.
As autoridades têm adotado uma abordagem dupla aos protestos — reconhecendo a crise económica e oferecendo diálogo com os manifestantes, ao mesmo tempo em que respondem a manifestações mais contundentes com violência.
Khamenei disse no sábado que, embora as autoridades conversassem com os manifestantes, "os arruaceiros devem ser colocados no seu lugar".