MÉDIO ORIENTE
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ONU coloca Israel na lista negra por cometer violência sexual contra palestinianos
Centenas de testemunhos de detidos palestinianos mantidos em prisões israelitas relataram casos de tortura e abuso sexual.
ONU coloca Israel na lista negra por cometer violência sexual contra palestinianos
A ONU acrescenta Israel à sua lista negra de países acusados ​​de cometer violência sexual em zonas de conflito. / AFP

As Nações Unidas colocaram Israel na sua lista negra de entidades acusadas de cometer violência sexual em zonas de conflito, no âmbito do “Relatório Anual do Secretário-Geral sobre Violência Sexual Relacionada com Conflitos”, segundo vários meios de comunicação social.

O Serviço Prisional Israelita está entre as entidades formalmente incluídas na lista devido a abusos contra palestinianos, enquanto várias outras instituições israelitas foram colocadas sob um mecanismo de monitorização, em preparação para uma eventual futura inclusão, segundo as mesmas informações divulgadas na quinta-feira.

A inclusão surge num contexto de crescente acumulação de provas reunidas por organizações de direitos humanos, órgãos de comunicação social e investigadores da ONU.

Centenas de testemunhos de detidos palestinianos mantidos em Gaza, na Cisjordânia ocupada e em prisões israelitas relataram episódios de tortura e abuso sexual durante detenções, interrogatórios e períodos de encarceramento.

No mês passado, especialistas da ONU afirmaram também que a violência sexual e baseada no género está a ser utilizada como uma “ferramenta sistemática” de controlo e opressão contra os palestinianos sob ocupação israelita, alertando que esses actos poderão constituir crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Os especialistas indicaram que os abusos ocorrem em vários contextos, incluindo centros de detenção, postos de controlo e rusgas domiciliárias, envolvendo forças israelitas e colonos ilegais.

A lista negra da ONU acarreta consequências significativas ao nível reputacional e diplomático para as entidades nela incluídas.

O relatório anual é habitualmente apresentado aos Estados relevantes antes da sua publicação.

Em agosto do ano passado, o relatório já tinha alertado que Israel poderia vir a ser incluído na lista de entidades suspeitas ou responsáveis por violência sexual em contextos de conflito armado.

A ONU afirmou igualmente que os seus inspetores foram impedidos de aceder às instalações de detenção israelitas.

Israel respondeu à inclusão na lista negra da ONU “interrompendo todos os contactos” com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel classificou a inclusão de Israel na lista da ONU sobre violência sexual como “absurda”.

Um porta-voz de Guterres afirmou que o gabinete estava ao corrente das declarações israelitas.

“Da nossa parte, a porta do secretário-geral continua aberta”, declarou o porta-voz, Stéphane Dujarric.