O Primeiro-ministro australiano Anthony Albanese afirmou que o Ministro das Alterações Climáticas, Chris Bowen, será o Presidente da COP para as negociações, com a Türkiye a acolher a conferência e a presidência da COP.
A determinação da Türkiye em acolher a COP31 reflete a sua ambição de estender o seu papel ativo na diplomacia de paz ao âmbito da defesa climática, disse o especialista em clima Halil Hasar ao órgão de comunicação turco T24.
Ele afirmou que a Türkiye é um dos poucos países capazes de «sentar-se e conversar com toda a gente», uma característica que considera essencial para a natureza inclusiva das conferências climáticas da ONU.
“As decisões da COP são tomadas por consenso”, disse Hasar. “É preciso um anfitrião que possa falar com facilidade com todos os lados: a UE, a Rússia, o Golfo, África, o Brasil, o Médio Oriente e até os países do Pacífico. A Türkiye está em posição de compreender e representar todas as partes.”
Ele também destacou as vantagens logísticas da Türkiye, sublinhando a capacidade de alojamento de Antalya, com mais de 600 000 camas, e as suas instalações de exposições e convenções prontas a usar, que permitem ao país preparar o evento com “ajustes mínimos”. “A Türkiye esteve sempre ao lado das comunidades vulneráveis”.
A Vice-ministra do Meio Ambiente, Urbanização e Alterações Climáticas da Türkiye e negociadora-chefe do clima, Fatma Varank, afirmou que a Türkiye aborda as questões climáticas com empatia e um sentido partilhado de responsabilidade.
“A mudança climática é um desafio global que exige solidariedade, colaboração e entendimento mútuo”, disse ela. A Türkiye, acrescentou, mantém-se comprometida em dar contributos construtivos à agenda climática global e em manter uma abordagem inclusiva que responda às preocupações de todos os países.
Varank afirmou que, ao colocar a ação climática no centro, a Türkiye dá grande importância a assegurar que a COP31 se concentre não apenas numa região específica, mas em todas as regiões vulneráveis, incluindo o Pacífico, uma das mais afetadas pela crise climática.
“O Pacífico tem sido uma região frágil que a Austrália quis manter na agenda desde o início. Eles queriam atrair a atenção global para lá. Nós apoiámos de todo o coração. A Türkiye sempre esteve ao lado das comunidades vulneráveis”, disse ele. Enfatizou ainda que, caso a Türkiye assuma o papel de anfitriã, poderá atuar como ponte entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Iniciativas da Primeira-dama turca
O trabalho da Primeira-dama turca Emine Erdogan na sustentabilidade e na sensibilização para o clima também reforça o compromisso mais amplo da Türkiye com uma liderança climática inclusiva e alinha-se com a sua ambição de acolher a COP31.
Erdogan tornou-se uma figura central na definição da agenda ambiental do país, sobretudo através do reconhecido internacionalmente Projeto Desperdício Zero, lançado sob a sua liderança em 2017.
A iniciativa promove a redução de resíduos, a reciclagem e práticas de economia circular em instituições públicas, municípios e no setor privado, e posicionou a Türkiye como defensora da eficiência de recursos no palco global.
O projeto recebeu reconhecimento internacional, tendo sido distinguido pelo PNUD com o «Global Goals Action Award» pelo seu contributo para o consumo e produção responsáveis.
Emine Erdogan também presidiu o Conselho Consultivo de Alto Nível da ONU sobre Desperdício Zero, reunindo especialistas globais para desenvolver normas internacionais e alargar práticas de desperdício zero em todo o mundo.
Ela frequentemente enquadra a ação climática como uma questão de justiça intergeracional, sublinhando que proteger o ambiente faz parte de «uma responsabilidade para com as gerações futuras».



















