Guterres alerta que cooperação global está 'à beira da morte' antes da reunião do CSNU sobre o Irão
No seu discurso anual final, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, condena violações do direito internacional, cortes de ajuda e paralisia geopolítica, ao mesmo tempo que expressa preocupação com o Irão e pede ação em Gaza, Ucrânia e no Sudão.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, emitiu um forte aviso aos líderes mundiais, dizendo que a cooperação internacional está a ser empurrada «para a morte» pelo aumento das divisões geopolíticas, violações do direito internacional e cortes drásticos na ajuda humanitária.
Ao proferir o seu último discurso sobre as prioridades anuais antes de deixar o cargo em 2026, Guterres disse à Assembleia Geral na quinta-feira que o mundo está cada vez mais fragmentado por «divisões geopolíticas autodestrutivas» que estão a minar o multilateralismo num momento de grande necessidade global.
«Numa altura em que mais precisamos da cooperação internacional, parecemos estar menos inclinados a utilizá-la e a investir nela», afirmou, acrescentando que alguns governos estão a trabalhar ativamente para enfraquecer o sistema.
Países cortam na ajuda às agências da ONU
Sem citar nomes de países, Guterres criticou os «cortes generalizados na ajuda humanitária e ao desenvolvimento», numa aparente referência às reduções de financiamento que afetam as agências da ONU, e alertou que tais medidas estão a abalar os alicerces da cooperação global.
O chefe da ONU disse que continua «profundamente preocupado com a repressão violenta no Irão», antes de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança na quinta-feira, e sublinhou o compromisso da ONU em prol da paz em Gaza, na Ucrânia e no Sudão.
Apelando para que a ajuda humanitária chegue livremente a Gaza, Guterres instou a novos esforços para pôr fim à guerra na Ucrânia e pressionou pela retomada das negociações com o objetivo de garantir um cessar-fogo duradouro no Sudão.
Ele reconheceu que os conflitos prolongados e a paralisia do Conselho de Segurança — impulsionados pelas divisões entre os seus membros permanentes com direito a veto — alimentaram as críticas à eficácia da ONU, mas insistiu que a organização continua a ser indispensável.
«Enquanto nos reunimos hoje, milhões de pessoas estão presas em ciclos de violência, fome e deslocamento», disse ele, instando também a uma ação global para regulamentar a inteligência artificial e enfrentar a crescente desigualdade.