ÁFRICA
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África renova pedido de um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU
O líder da União Africana também pede uma reforma da arquitetura financeira internacional para reduzir os custos de capital de África e garantir o seu acesso a financiamento.
África renova pedido de um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU
África reivindica lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU e representação equitativa em organismos financeiros globais. / AFP
25 de novembro de 2025

A União Africana (UA) pediu a representação permanente da África no Conselho de Segurança das Nações Unidas, bem como uma representação equitativa nas instituições financeiras internacionais.

Na 7.ª Cimeira União Africana-União Europeia, em Luanda, capital de Angola, o presidente da Comissão da UA, Mahmoud Ali Youssouf, lamentou nesta segunda‑feira a "incerteza que prevalece no cenário internacional", em que as regras internacionais estão a ser questionadas devido ao aumento de conflitos, do terrorismo e do extremismo.

Também manifestou preocupação com a "desvitalização do direito internacional", observando que África enfrenta as suas próprias crises políticas, de segurança e de desenvolvimento.

A África deve posicionar‑se num contexto em que "as regras da Organização Mundial do Comércio estão desfeitas, e a ação do Conselho de Segurança das Nações Unidas está limitada devido a conflitos de interesse e antagonismos entre grandes decisores", explicou Youssouf.

«A África continua a pedir o seu lugar à mesa», sublinhou. «Solicitamos o nosso assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas com base no consenso de Ezulwini, bem como uma representação equitativa nas instituições financeiras internacionais.»

O líder da UA também apelou à reforma da arquitetura financeira internacional para reduzir os custos de capital da África e garantir o seu acesso a financiamento, enfatizando que "a Europa deve desempenhar um papel importante" nesse processo.

“Apelo a investimentos europeus no processo de transformação dos nossos minerais no continente. Peço a eliminação de quaisquer barreiras tarifárias ou não tarifárias que dificultem o acesso dos produtos africanos ao mercado europeu. Por fim, apelo a um multilateralismo mais forte e viável, baseado na igualdade, no respeito por todas as nações e na promoção do interesse global vital comum”, acrescentou Youssouf.

O Secretário‑Geral da ONU, António Guterres, afirmou na cimeira que o mundo caminha para uma ordem multipolar, com o poder global em mutação, alertando contra uma divisão em dois grandes blocos e sublinhando a necessidade de uma multipolaridade interconectada com redes inclusivas no comércio, desenvolvimento, finanças e um crescente alinhamento político.

Disse que a parceria UA‑UE, e mais amplamente os laços entre a Europa e a África, poderiam formar um eixo central num novo mundo multipolar, oferecendo a oportunidade de corrigir injustiças históricas e inaugurar um sistema mais justo e igualitário para países há muito excluídos da tomada de decisões globais.

«A multipolaridade por si só não é garantia de paz e prosperidade», afirmou, lembrando que a Europa em 1914 era multipolar mas sem uma governança multilateral robusta, o que acabou por conduzir à guerra.

Guterres apelou para que a multipolaridade atual assente em «instituições e dinâmicas multilaterais fortes como condição de estabilidade e equilíbrio.»