Universidade de Istambul começa a usar IA para proteger prados de erva-marinha em perigo
Os prados de erva-marinha são componentes vitais dos ecossistemas costeiros devido à sua elevada capacidade de sequestro de carbono.
O Instituto de Ciências e Gestão Marinha da Universidade de Istambul lançou um projecto para monitorizar os prados de erva-marinha em perigo, utilizando imagens de satélite e drones suportados por inteligência artificial, com o objectivo de melhorar a proteção dos frágeis ecossistemas costeiros.
A iniciativa foca-se nos prados ameaçados pelo aumento da temperatura do mar, poluição marinha, desenvolvimento costeiro e ancoragem descontrolada de embarcações.
O projecto irá concentrar-se em áreas-piloto no oeste da Türkiye, incluindo partes dos mares de Mármara e Egeu, ao longo da costa de Balikesir. Os dados obtidos através de tecnologias de sensoriamento remoto serão verificados por mergulhos de investigação subaquática realizados por equipas científicas.
Intitulado Projecto Ilha Pasalimani — Baía de Harmanli, o projecto procura desenvolver métodos práticos e sustentáveis para monitorizar e conservar os prados de Posidonia oceanica no Mar de Mármara através de técnicas avançadas de sensoriamento remoto.
Prados de erva-marinha são vitais para os ecossistemas costeiros
Em declarações à Anadolu, o diretor do instituto, Professor Cem Gazioglu, afirmou que os prados de erva-marinha são um dos componentes mais importantes dos ecossistemas costeiros devido à sua elevada capacidade de sequestro de carbono, produção de oxigénio e função como habitats para muitas espécies marinhas.
O biólogo marinho Selahattin Unsal Karhan, mergulhador de investigação envolvido no projecto, destacou que os prados de erva-marinha são frequentemente confundidos com algas marinhas.
“As ervas-marinhas são plantas com flores, com raízes, caules e folhas. Produzem sementes e estão evolutivamente relacionadas com plantas terrestres, não com algas,” explicou Karhan.
Ele acrescentou que existem cinco espécies de erva-marinha no Mediterrâneo, sendo a Posidonia oceanica endémica da região. Frequentemente chamada de “pulmões do Mediterrâneo”, esta espécie desempenha um papel crucial na produção de oxigénio e no armazenamento de carbono, apoiando os ciclos de vida de cerca de 25% das espécies marinhas do Mediterrâneo.
O instituto alertou que as ervas-marinhas crescem muito lentamente, pelo que os danos causados pela actividade humana ou pelo stress ambiental podem demorar décadas a recuperar, sublinhando a importância da deteção precoce e do monitoramento contínuo.