Comissária da UE pede maior acesso via Rafah, já que ajuda a Gaza chega 'gota a gota'

"O ponto de travessia está aberto, mas não o suficiente", diz Hadja Lahbib, alertando que "ainda há ataques todos os dias".

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"Ainda precisamos trabalhar nesta primeira fase antes de falar sobre a segunda", disse Lahbib. / AA

A ajuda humanitária está a entrar em Gaza apenas “gota a gota”, disse a Comissária Europeia para a Igualdade e Gestão de Crises, Hadja Lahbib, apelando à ampliação do acesso através da passagem de Rafah, à redução das restrições sobre bens de uso dual e a um maior acesso para as ONG que atuam no terreno.

“O ponto de passagem está aberto, mas não é suficiente”, disse Lahbib na segunda-feira à porta do Conselho de Assuntos Externos da UE, alertando que “ainda há ataques todos os dias” e que “cidadãos são mortos e feridos todos os dias por causa dos ataques”.

Ela sublinhou que “a primeira fase não está totalmente implementada, por isso ainda precisamos de trabalhar nessa primeira fase antes de falar da segunda”.

Ao salientar os riscos para o pessoal humanitário, afirmou: “Até agora, 600 trabalhadores humanitários foram mortos”, acrescentando que as operações de ajuda não podem aliviar efetivamente o sofrimento sem “acesso humanitário sem impedimentos”.

Ação real e concreta no terreno

Lahbib também abordou a guerra na Ucrânia, na véspera do seu quarto aniversário, descrevendo o que presenciou durante uma visita recente.

“Vi a situação lá em primeira mão, a guerra de terror que a Rússia está a travar contra a Ucrânia”, disse, recordando que teve de se abrigar no subsolo durante alertas de ataque aéreo e que visitou hospitais onde os cirurgiões trabalhavam “com meios muito limitados”.

“É muito importante manter o compromisso, e a UE está comprometida”, afirmou, sublinhando que o bloco evacuou “5.000 doentes, feridos, doentes gravemente feridos” e entregou “11.000 geradores para manter a infraestrutura a funcionar”.

Ela acrescentou que a UE alocou “1,8 mil milhões de euros (cerca de 2 mil milhões de dólares) através do nosso Mecanismo de Apoio Energético à Ucrânia e mil milhões de euros (1,08 mil milhões de dólares) em gás de emergência”.

A comissária também fez um relatório sobre a sua recente missão diplomática à região dos Grandes Lagos de África, onde se encontrou com líderes e atores armados para pressionar por acesso humanitário.

“Todos eles concordaram na necessidade de respeitar o direito internacional humanitário”, disse ela, acrescentando que se “comprometeram a trabalhar na acessibilidade da ajuda humanitária”.

“O teste é transformar esse compromisso em ação real e concreta no terreno”, afirmou Lahbib, apontando para conversações sobre a reabertura do aeroporto de Goma para o transporte humanitário.