Num abalo político que provavelmente vai remodelar o panorama da Europa Central, o líder da oposição húngara, Peter Magyar, emergiu vitorioso nas eleições gerais do país.
Resultados do Departamento Nacional de Eleições, com mais de 81% dos votos apurados, mostram que o Partido Tisza de Magyar está prestes a obter 68,84% dos votos, garantindo aproximadamente 137 cadeiras no Parlamento húngaro.
A dimensão da vitória foi tão decisiva que o primeiro-ministro atual, Viktor Orbán, o líder em exercício há mais tempo na União Europeia, concedeu a derrota no domingo à noite. Orbán, que domina a política húngara desde 2010, confirmou que telefonou a Magyar para o felicitar. «O resultado é claro e doloroso», disse Orbán aos seus apoiantes. «Serviremos a nossa nação a partir da oposição e nunca desistiremos.»
Líderes europeus acolhem uma 'Nova Era'
A reação dos países europeus foi rápida e largamente positiva. O chanceler alemão, Friedrich Merz, ofereceu calorosas felicitações, instando a uma união de forças por uma «Europa unida», enquanto o presidente francês, Emmanuel Macron, falou diretamente com Magyar para saudar a vitória como um marco para a estabilidade continental.
Entretanto, o Primeiro‑ministro britânico Keir Starmer qualificou o episódio como um «momento histórico» para a democracia europeia, e o Primeiro‑ministro espanhol Pedro Sánchez recebeu o resultado como uma vitória dos «valores europeus».
A Primeira‑ministra italiana, Giorgia Meloni, felicitou Magyar pela sua «vitória clara» e prometeu colaboração construtiva contínua.
A vitória de Magyar tem implicações profundas para a guerra na Ucrânia, sendo que o Presidente Volodymyr Zelensky felicitou o líder da oposição e afirmou a disposição de Kiev para aprofundar laços e «avançar na cooperação».
Durante anos, Orbán foi o principal obstáculo a pacotes de ajuda da UE a Kiev, usando frequentemente o seu veto para bloquear milhares de milhões de euros em apoio.
Com Magyar à frente, o caminho está agora livre para que a UE finalize um empréstimo de 90 mil milhões de euros para a Ucrânia.
Embora Magyar tenha mantido cautela sobre a guerra durante a campanha, condenou fortemente a influência russa. No mês passado, apelou ao Kremlin que se abstivesse de ameaçar os húngaros, marcando uma mudança acentuada em relação aos laços estreitos de Orbán com Vladimir Putin.
Preocupações nos EUA e em Israel
Enquanto Bruxelas celebra, o resultado provocou ondas de choque noutros corredores do poder. Orbán foi uma pedra angular do movimento global 'MAGA' e um aliado vocal do Presidente dos EUA, Donald Trump.
Poucos dias antes da votação, Trump comprometeu‑se a usar «todo o poder económico» dos EUA para ajudar a Hungria caso Orbán vencesse, e o Vice‑presidente JD Vance visitou a Hungria para apoiar Orbán no seu comício final — um gesto que Magyar condenou como interferência estrangeira.
Em Israel há preocupação significativa com a perda de um aliado estratégico. O Primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu apoiou ativamente a campanha de Orbán, chegando a enviar uma mensagem de vídeo para um evento do partido Fidesz em Budapeste.
Sob Orbán, a Hungria bloqueou com frequência declarações da UE críticas em relação a Israel, proporcionando um escudo diplomático em Bruxelas.
Com a mudança pró‑UE do Partido Tisza, Telavive teme que o «veto» fiável da Hungria na política do Médio Oriente possa em breve desaparecer.





