A Türkiye condenou a exploração do funeral de Ratko Mladic para glorificar o condenado criminoso de guerra bósnio-sérvio, afirmando que qualquer negação dos crimes pelos quais foi considerado culpado é inaceitável.
Numa declaração na terça-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Türkiye disse que Mladic foi definitivamente condenado por tribunais internacionais por genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra, e alertou que rejeitar essas decisões judiciais ou glorificar perpetradores condenados apenas aprofunda o sofrimento das vítimas e das suas famílias.
Ancara pede lições do passado
O ministério afirmou que os esforços para homenagear Mladic minam anos de trabalho destinados a alcançar paz e reconciliação em toda a região dos Balcãs.
"O que os Balcãs precisam é da construção de um futuro pacífico, próspero e partilhado, fundado nas lições necessárias extraídas do passado", disse o ministério.
Mladic, amplamente conhecido como o "Carniceiro da Bósnia", foi condenado pelo tribunal da ONU em Haia pelo seu papel nas atrocidades cometidas durante a Guerra da Bósnia (1992-1995), incluindo o genocídio de Srebrenica em 1995.
Ele morreu a 27 de agosto enquanto cumpria uma pena de prisão perpétua em Haia. Os seus restos mortais foram posteriormente levados para Belgrado, onde receberam honras militares antes do seu enterro na segunda-feira.
Milhares compareceram ao funeral, incluindo autoridades sérvias, o que suscitou condenações de observadores internacionais.
A controvérsia também causou tensões na relação da Sérvia com a União Europeia.
A Comissária para o Alargamento da UE, Marta Kos, cancelou uma visita planeada à Sérvia, afirmando que a glorificação de Mladic é incompatível com os valores que orientam o percurso de adesão do país à UE.
Türkiye prestou homenagem às vítimas da Guerra da Bósnia
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Türkiye também prestou tributo aos mortos durante a Guerra da Bósnia, em particular às vítimas do genocídio de Srebrenica, e expressou solidariedade com as suas famílias.
O ministério disse que confrontar o passado, respeitar as vítimas e rejeitar a glorificação de criminosos de guerra condenados são essenciais para a construção de uma paz duradoura nos Balcãs.
A declaração da Türkiye surge num momento em que o funeral de Mladic reacendeu o debate sobre como a Sérvia e a região em geral enfrentam o legado da Guerra da Bósnia e os crimes estabelecidos pelos tribunais internacionais.























