Irão diz à ONU que responderá “decisivamente” ao ataque dos EUA após Trump emitir novo ultimato

O Irão diz a António Guterres que a retórica do Presidente dos EUA, Donald Trump, “sinaliza um risco real de agressão militar”, acrescentando que Teerão não quer guerra.

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Os EUA têm reforçado as suas forças militares perto do Irão, incluindo navios de guerra, caças e aviões cisterna. / TRT World

O Irão informou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, de que considerará bases, instalações e meios da “força hostil” na região como alvos legítimos caso enfrente agressão militar.

A retórica do Presidente dos EUA, Donald Trump, em relação ao Irão “sinaliza um risco real de agressão militar”, afirmou a missão permanente do Irão junto das Nações Unidas numa carta enviada na quinta-feira, acrescentando que o Irão não pretende uma guerra.

O Irão responderá “de forma decisiva” se for alvo de agressão militar, refere a carta.

A reação iraniana surgiu depois de Trump ter advertido que o Irão deve alcançar um “acordo significativo” nas negociações com Washington nos próximos 10 dias, caso contrário “acontecerão coisas más”, ao mesmo tempo que destacou navios de guerra, aviões de combate e outro equipamento militar para a região.

“Tem-se provado, ao longo dos anos, que não é fácil fazer um acordo significativo com o Irão. Temos de fazer um acordo significativo, caso contrário acontecerão coisas más”, disse Trump na reunião inaugural do Conselho para a Paz, a sua iniciativa para garantir estabilidade em Gaza.

Advertiu que Washington “poderá ter de ir um passo mais além” caso não haja acordo, acrescentando: “Vão descobrir isso provavelmente nos próximos 10 dias.”

Os comentários de Trump surgiram pouco depois de Benjamin Netanyahu ter emitido o seu próprio aviso ao Irão, afirmando: “Se os aiatolás cometerem um erro e nos atacarem, receberão uma resposta que nem conseguem imaginar.”

Reforço militar para um possível ataque ao Irão

Os avisos foram emitidos dias depois de os EUA e o Irão terem realizado uma segunda ronda de conversações mediadas por Omã, desta vez em Genebra, com os EUA a procurarem impedir que o Irão obtenha uma bomba nuclear — algo que Teerão afirma não estar a tentar — e com o Irão a procurar alívio das sanções norte-americanas.

Os EUA têm vindo a reforçar as suas forças militares nas proximidades do Irão, incluindo navios de guerra, aviões de combate e aeronaves de reabastecimento, lançando as bases para uma potencial ofensiva prolongada contra o Irão — caso Trump dê a ordem.

Washington ordenou o envio de um segundo porta-aviões para a região, estando o primeiro, o USS Abraham Lincoln, e as suas cerca de 80 aeronaves, posicionados a cerca de 700 quilómetros da costa iraniana no domingo, segundo imagens de satélite.

O Irão tem procurado demonstrar também o seu poderio militar, com a Guarda Revolucionária Islâmica a realizar exercícios militares no início desta semana no Estreito de Ormuz.

Políticos iranianos têm ameaçado repetidamente bloquear o estreito, uma importante via global para o transporte de petróleo e gás, tendo os receios de um conflito entre os EUA e o Irão feito disparar os preços do petróleo esta semana.

Segundo a Agência Internacional da Energia, o estreito é responsável pelo transporte de um quarto do petróleo mundial transportado por via marítima e de um quinto de todo o gás natural liquefeito.