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'Brincar com o fogo' - Ministro russo Lavrov adverte contra ataque dos EUA ao Irão
A Rússia alerta que uma ação militar poderia desencadear uma crise regional mais ampla e comprometer os frágeis ganhos diplomáticos, ao mesmo tempo em que confirma as negociações em curso com a nova liderança da Síria.
'Brincar com o fogo' - Ministro russo Lavrov adverte contra ataque dos EUA ao Irão
O Ministro russo Sergey Lavrov diz que ataques anteriores a instalações nucleares iranianas, monitorizadas pela AIEA, já tinham criado sérios riscos. / Reuters
há 11 horas

O Ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, alertou que qualquer novo ataque dos EUA ao Irão teria consequências perigosas, instando a diplomacia a garantir que o programa nuclear de Teerão permaneça pacífico.

Numa entrevista ao canal saudita Al-Arabiya, divulgada na quarta-feira, Lavrov disse que os ataques anteriores às instalações nucleares iranianas monitorizadas pela Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) já tinham criado riscos graves.

«As consequências não são boas», disse ele. «Havia riscos reais de um incidente nuclear... Todos entendem que isso é brincar com fogo.»

As declarações foram feitas um dia após negociadores dos EUA e do Irão terem mantido conversações indiretas em Genebra com o objetivo de amenizar o último impasse entre Teerão e os Estados Unidos.

«O confronto ameaça os recentes progressos diplomáticos na região»

Lavrov afirmou que os atores regionais — particularmente os Estados árabes e as monarquias do Golfo — estavam a sinalizar que não queriam que as tensões aumentassem, alertando que um novo confronto poderia reverter os recentes progressos diplomáticos, incluindo a melhoria das relações entre o Irão e países vizinhos, como a Arábia Saudita.

De acordo com um alto funcionário dos EUA, espera-se que Teerão apresente uma proposta por escrito descrevendo como acredita que a disputa com Washington poderia ser resolvida.

Ao mesmo tempo, os responsáveis pela segurança nacional dos EUA têm vindo a rever a prontidão militar na região, com as forças a deverem estar totalmente posicionadas em meados de março.

Washington insiste que o Irão deve abandonar o seu programa nuclear, enquanto Teerão nega estar a procurar armas nucleares e afirma ter o direito de desenvolver energia nuclear.

Lavrov disse que Moscovo permaneceu em contacto próximo com os líderes iranianos e acredita que Teerão deseja resolver a disputa no âmbito do Tratado de Não Proliferação Nuclear, enfatizando que qualquer acordo deve respeitar os direitos legítimos do Irão, garantindo que as suas atividades de enriquecimento permaneçam pacíficas.

Presença militar russa na Síria

Sobre a Síria, Lavrov disse que a Rússia está atualmente em negociações com a nova liderança síria para manter a sua presença militar fundamental.

«Quanto às nossas instalações militares, as discussões estão em curso. Deixem-me reiterar — os sírios estão interessados em que a nossa presença se mantenha. Estas instalações, embora já não tenham uma função puramente militar como tinham antes de dezembro de 2025, continuam a ser adequadas para serem reutilizadas como centros humanitários», afirmou.

Lavrov disse que o respeito mútuo e o benefício recíproco são os princípios que sustentam as relações da Rússia com a Síria desde a criação do Estado árabe.

Ele disse que o facto de o presidente sírio Ahmed al Sharaa ter visitado a Rússia duas vezes em menos de quatro meses e de o ministro dos Negócios Estrangeiros sírio, Asaad al Shaibani, ter realizado várias reuniões com autoridades russas no espaço de um ano demonstra que ambos os lados têm estas relações em alta conta.

Lavrov argumentou que a presença de Moscovo na Síria, particularmente em Khmeimim e Tartus, é vista como «um contrapeso estabilizador para outros intervenientes».

A Rússia prestou durante muito tempo apoio financeiro e militar ao antigo líder do regime sírio, Bashar al Assad, que foi deposto após quase 15 anos de guerra civil que causou centenas de milhares de mortos. Assad fugiu para a Rússia em dezembro de 2024.