Despedida de uma lenda: jornada inacabada de Ronaldo no Mundial chega ao fim após 20 anos de glória
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Despedida de uma lenda: jornada inacabada de Ronaldo no Mundial chega ao fim após 20 anos de glóriaO último Campeonato do Mundo de Cristiano Ronaldo terminou em desilusão, mas a sua grandeza permanece intacta, ao abandonar o maior palco do futebol mundial depois de redefinir a longevidade, a ambição e a excelência ao longo de duas décadas.
Cristiano Ronaldo entra em campo para o aquecimento antes do jogo dos oitavos de final do Mundial entre Portugal e Espanha

Cristiano Ronaldo ouviu os aplausos enquanto deixava o relvado após o seu último jogo num Campeonato do Mundo ao serviço de Portugal. A expressão impassível no rosto e o breve aceno dirigido aos adeptos deixavam claro que este não era o desfecho que desejava.

O sexto e último Mundial da carreira do astro de 41 anos terminou com uma derrota por 1-0 frente à vizinha Espanha, nos oitavos de final, na segunda-feira. Ronaldo viu um golo ser-lhe negado na primeira parte, quando o guarda-redes recordista Unai Simón protagonizou uma defesa espetacular com uma intervenção em voo.

Ronaldo, o único jogador a marcar em seis Campeonatos do Mundo consecutivos e o melhor marcador de sempre das seleções nacionais, com 146 golos, fez três remates diante da Espanha.

Na véspera do encontro dos oitavos de final, Ronaldo falou durante cerca de 25 minutos com os jornalistas e afirmou esperar que aquele não fosse o seu último jogo, acrescentando que queria «desfrutar ao máximo daquele que será o meu último Campeonato do Mundo».

A melhor campanha de Ronaldo num Mundial aconteceu em 2006, na sua estreia na competição, quando Portugal alcançou as meias-finais.

A despedida de Ronaldo do maior palco do futebol aconteceu oito anos depois de, aos 33 anos, ter assinado um hat-trick num Campeonato do Mundo.

Foi no empate 3-3 frente à Espanha, na jornada inaugural da fase de grupos, num encontro considerado um dos melhores dessa edição do torneio, embora nenhuma das duas seleções tenha conseguido chegar às fases decisivas.

No total, Ronaldo marcou 11 golos em Campeonatos do Mundo, igualando o nono lugar da lista dos melhores marcadores de sempre da competição.

O homem que desafiou o tempo

Durante mais de duas décadas, Ronaldo decidiu jogos, conduziu equipas nos momentos mais difíceis e desafiou o próprio tempo para se manter entre a elite do futebol, mesmo depois dos seus anos de ouro no Real Madrid, Manchester United e Juventus.

Ainda assim, o único troféu que sempre lhe escapou permaneceu fora do seu alcance na segunda-feira.

Após o jogo, o selecionador de Portugal, Roberto Martínez, enalteceu o compromisso de Ronaldo com o futebol, descrevendo-o como um ícone da modalidade.

“Estaremos sempre gratos por aquilo que tentou fazer neste Campeonato do Mundo, porque o sonho era conquistar o Mundial e ele tentou consegui-lo, dando um exemplo extraordinário de liderança enquanto capitão”, afirmou Martínez.

“Este não é o momento para olhar para além daquilo de que estamos a falar: um ícone do futebol. Não há muitos Cristianos Ronaldos.”

O seu primeiro Campeonato do Mundo foi também aquele em que chegou mais longe. Com apenas 21 anos, Ronaldo integrou a seleção portuguesa que atingiu as meias-finais antes de ser eliminada pela França.

Nos quartos de final, converteu com toda a tranquilidade o penálti decisivo no desempate frente à Inglaterra, um momento que continua vivo na memória dos portugueses e que, na altura, parecia anunciar conquistas ainda maiores.

Durante grande parte da sua carreira internacional, Ronaldo pareceu carregar sozinho o peso das ambições de Portugal.

Mas o panorama mudou com o surgimento de uma nova geração de talentos e, à chegada deste torneio, persistiam as dúvidas sobre se deveria continuar a ser titular indiscutível.

Frente à Espanha, o veterano cumpriu os 90 minutos, fez três remates, mas não conseguiu criar a oportunidade decisiva.

Os adversários prestaram homenagem a um dos maiores jogadores da história do futebol, precisamente diante da seleção frente à qual protagonizou, em 2018, aquela que muitos consideram a sua melhor exibição num Mundial: um hat-trick no empate 3-3 da fase de grupos, coroado com um livre direto magistralmente executado aos 88 minutos.

“Sou um grande admirador dele, dos seus valores, daquilo que representa e da forma como encara o futebol. Penso que é um exemplo para os jovens”, afirmou o selecionador espanhol, Luis de la Fuente, após a partida.

“Sempre que temos oportunidade de estar juntos, reconhecemos a admiração mútua e o orgulho que sentimos por nos conhecermos.”

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A rivalidade com Messi

Ao longo do torneio, Ronaldo evitou, na maior parte das vezes, responder às comparações com Lionel Messi. Ainda assim, com o encerramento da sua história nos Campeonatos do Mundo, o contraste é inevitável. A rivalidade entre ambos marcou uma era, mas nunca se refletiu plenamente no palco dos Mundiais.

Messi conduziu a Argentina até à final de 2014 e alcançou a consagração máxima ao conquistar o título em 2022, enquanto as campanhas de Ronaldo terminaram repetidamente em desilusão.

Ainda assim, existiu a possibilidade de um duelo entre ambos num Campeonato do Mundo.

Se Portugal tivesse terminado em primeiro lugar do grupo, em vez de ficar atrás da Colômbia, e caso ambas as seleções tivessem seguido em frente, Ronaldo e Messi poderiam ter-se encontrado nos quartos de final.

“Seria fantástico”, disse Ronaldo sobre esse possível confronto, depois de marcar dois golos na goleada por 5-0 frente ao Uzbequistão, na fase de grupos, naquela que foi a sua melhor exibição no torneio disputado na América do Norte.

Para um jogador que conquistou praticamente tudo o que o futebol tinha para oferecer, ficará sempre a sensação de que esse sonho — e o título mundial — lhe escaparam. É esse sentimento de oportunidade perdida que acompanhará a despedida de Cristiano Ronaldo dos Campeonatos do Mundo.

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