Estão em curso os preparativos para a deslocação ao Egito dos membros de um comité tecnocrático designado para administrar Gaza, a fim de realizarem a sua primeira reunião, prevista para quinta ou sexta-feira, segundo uma fonte palestiniana.
O comité faz parte de um plano de governação do pós-guerra proposto pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na sequência da devastadora guerra de Israel em Gaza, que desde outubro de 2023 matou mais de 71 mil palestinianos e feriu mais de 171 mil.
A fonte afirmou na quarta-feira que os membros foram formalmente notificados das suas nomeações e que iniciarão o trabalho nas respetivas áreas de responsabilidade assim que o painel se reunir no Cairo.
O New York Times noticiou esta semana que Washington está perto de anunciar oficialmente a formação do comité, devendo o antigo vice-ministro palestiniano do Planeamento, Ali Shaath, presidir ao mesmo.
Formação do comité
O comité reúne académicos, profissionais e figuras da sociedade civil selecionados pela sua experiência técnica para gerir os sectores mais urgentes de Gaza em meio a uma crise humanitária sem precedentes.
Israel destruiu cerca de 90% da infraestrutura do enclave durante a guerra, com as Nações Unidas a estimarem os custos de reconstrução em cerca de 70 mil milhões de dólares.
De acordo com meios de comunicação palestinianos e internacionais, Omar Shamaly, diretor executivo da Companhia Palestiniana de Telecomunicações em Gaza, deverá supervisionar as telecomunicações; Abdel Karim Ashour, chefe da Associação de Apoio à Agricultura, será responsável pelo sector agrícola; e o Dr. Aed Yaghi, líder da Associação de Apoio Médico, ficará a cargo da saúde.
Outras áreas incluem economia e comércio, educação, finanças, água e serviços municipais, assuntos sociais, administração da terra e sistema judicial.
As responsabilidades de segurança durante uma fase de transição destinada a restaurar a ordem pública deverão ser assumidas por Mohammed Tawfiq Helles e Mohammed Nesman, segundo noticiaram os meios de comunicação.
Não foram emitidos comentários oficiais imediatos pela Autoridade Palestiniana, pelo Egito ou pelos Estados Unidos.
Esforços de normalização em meio a um cessar-fogo frágil
O lançamento do comité ocorre numa altura em que um cessar-fogo frágil, em vigor desde 10 de outubro de 2025, continua sob pressão.
O Ministério da Saúde de Gaza informou que as forças israelitas mataram 447 palestinianos e feriram outros 1.246 desde o início da trégua. Israel bloqueou também a entrada das quantidades acordadas de alimentos, medicamentos e materiais de abrigo, deixando cerca de 2,4 milhões de palestinianos em condições críticas.
No âmbito da proposta de Trump, o órgão tecnocrático operaria sob a supervisão de um denominado “Conselho de Paz”, liderado pelo Presidente dos EUA e incluindo figuras internacionais ainda não nomeadas.
O plano prevê um cessar-fogo completo, trocas de prisioneiros, retirada de Israel de Gaza, desarmamento do Hamas e o envio de uma força internacional de estabilização.
Separadamente, o Hamas anunciou que uma delegação sénior liderada por Khalil al Hayya chegou ao Cairo na terça-feira para negociações sobre a consolidação do cessar-fogo, a reabertura do ponto de passagem de Rafah e a coordenação com outras facções palestinianas sobre os acontecimentos em Gaza e na Cisjordânia ocupada.










