Washington, DC — A Casa Branca afirmou que uma missão militar europeia que está a tomar forma na Gronelândia não impediria o Presidente dos EUA, Donald Trump, de buscar o controlo do território autônomo dinamarquês, rico em minerais.
“Não penso que tropas na Europa influenciem o processo de tomada de decisões do Presidente, nem que afectem o seu objectivo de adquirir a Gronelândia de forma alguma”, disse a Secretária de Imprensa Karoline Leavitt numa conferência de imprensa na Casa Branca na quinta-feira.
Referindo-se à reunião de quarta-feira dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca, Gronelândia e do Vice-Presidente dos EUA JD Vance e do Secretário de Estado Marco Rubio, Leavitt afirmou: “Nessa reunião, as duas partes concordaram em realmente estabelecer um grupo de trabalho de indivíduos que continuarão a ter conversações técnicas sobre a aquisição da Gronelândia. Essas conversações decorrerão, segundo me informaram, de duas em três semanas.”
“Esta é uma conversa que a administração pretende continuar a ter com os dinamarqueses e com a respeitável delegação da Gronelândia.”
Após participar nas conversações na Casa Branca, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, publicou na quinta-feira: “Concordamos quanto ao objectivo: reforçar a segurança a longo prazo no Árctico. Mas discordamos quanto ao método.”
“Estamos em 2026 — pode negociar com pessoas, mas não se negoceiam pessoas.”
Trump insiste que quer controlar a Gronelândia, mas os habitantes da ilha afirmam que ela não está à venda.
A ilha é um território semi-autónomo da Dinamarca, e a Primeira-Ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, avisou que, se os EUA tentarem tomar a Gronelândia pela força, isso poderia significar potencialmente o fim da NATO.
“Diálogo e diplomacia”
Entretanto, o Primeiro-Ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, disse que “diálogo e diplomacia são o caminho correto a seguir”, saudando o facto de estar agora “em curso” um diálogo.
Dois aviões de transporte de tropas dinamarquesas, entretanto, aterraram na Gronelândia na quarta-feira.
O Reino Unido, Finlândia, França, Alemanha, Países Baixos, Noruega e Suécia anunciaram também o destacamento de pessoal militar como parte de uma missão de reconhecimento na capital da Gronelândia, Nuuk, no âmbito do exercício dinamarquês “Arctic Endurance”, organizado com aliados da NATO.
Os modestos reforços militares — 13 soldados da Alemanha, por exemplo — têm como objectivo preparar as forças armadas para futuros exercícios no Árctico, de acordo com fontes europeias de defesa.
“Uma primeira equipa de militares franceses já se encontra no local e será reforçada nos próximos dias com meios terrestres, aéreos e marítimos”, disse o Presidente francês Emmanuel Macron.
O Ministério da Defesa da Alemanha afirmou que o objectivo era “explorar as condições-quadro para possíveis contributos militares que apoiem a Dinamarca na garantia da segurança na região”.
Com os acontecimentos a evoluir rapidamente, os primeiros-ministros da Dinamarca e da Gronelândia irão reunir-se com uma delegação do Congresso norte-americano em visita na sexta-feira e sábado em Copenhaga, segundo os seus gabinetes.
Localização estratégica
Trump afirmou repetidamente que os EUA precisam de adquirir a Gronelândia principalmente por razões de segurança nacional.
Ele defende que a localização estratégica da ilha no Árctico é essencial para se defender contra potenciais ameaças da Rússia e da China, alegando que, se os EUA não tomarem o controlo, esses adversários o farão.
Trump enfatizou que os acordos militares existentes ou arrendamentos com a Dinamarca são insuficientes, insistindo que é necessária a propriedade total para defender adequadamente o território, monitorizar ameaças de mísseis e apoiar iniciativas como o proposto sistema de defesa de mísseis “Golden Dome”.
Além da segurança, Trump realça o valor geopolítico da Gronelândia numa era de degelo no Árctico, que abre novas rotas de navegação e torna os seus vastos recursos inexplorados — como minerais raros, petróleo e gás — mais acessíveis.












