MÉDIO ORIENTE
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Israel deteve 42 jornalistas palestinianos em 2025, incluindo 8 mulheres
O relatório do Sindicato dos Jornalistas Palestinianos refere que Israel mudou o seu foco de “ataques quantitativos para ataques qualitativos”.
Israel deteve 42 jornalistas palestinianos em 2025, incluindo 8 mulheres
A PJS disse que documentou-se casos em que jornalistas foram detidos enquanto estavam em serviço, a cobrir incursões militares e ataques de colonos. / Reuters
2 de janeiro de 2026

Israel deteve 42 jornalistas palestinianos em 2025, incluindo oito mulheres, continuando um padrão de perseguição sistemática aos jornalistas palestinianos, afirmou o Sindicato dos Jornalistas Palestinianos (PJS).

“De acordo com a documentação e monitorização, o Comité de Liberdades do Sindicato registou 42 casos de detenção de jornalistas palestinianos, tanto homens como mulheres, durante 2025”, afirmou o PJS no seu relatório.

“Estas detenções ocorreram em toda a Cisjordânia (ocupada), Jerusalém ocupada e dentro dos territórios ocupados, bem como em postos de controlo militares e passagens, durante a cobertura no terreno e durante rusgas domiciliárias.”

O relatório afirma que a diminuição dos casos de detenção em comparação com 2023 e 2024 sugere uma mudança no foco de Israel, passando de “perseguição quantitativa para perseguição qualitativa”.

Esta mudança, diz o relatório, caracteriza-se pelo foco nos jornalistas mais influentes, prisões repetidas do mesmo jornalista, uso ampliado de detenção administrativa sem acusação ou julgamento e uso de violência física e psicológica como ferramenta de dissuasão.

A PJS afirmou ainda que a comissão documentou casos em que jornalistas foram detidos enquanto estavam em serviço, a cobrir incursões militares e ataques de colonos.

“Isto confirma que a detenção se tornou uma ferramenta imediata para esvaziar o terreno de testemunhas e impedir a transmissão da verdade”, acrescentou o relatório.

Violência de género

Em 2025, também se verificou um aumento acentuado das ações de Israel contra jornalistas palestinianas, através de detenções, interrogatórios e expulsões, com algumas delas a serem novamente detidas.

O relatório afirma que a comissão salientou que estas violações coincidem com testemunhos documentados de jornalistas estrangeiras que foram vítimas de tortura por parte de Israel.

“A comissão salientou que estas violações coincidem com testemunhos documentados de jornalistas estrangeiras que foram vítimas de graves abusos dentro das prisões, colocando estes crimes na categoria de violações graves que podem constituir crimes internacionais”, afirma o relatório.

O Sindicato dos Jornalistas Palestinianos apelou à comunidade internacional, às organizações de direitos humanos, às Nações Unidas e aos relatores especiais sobre a liberdade de expressão para que cumpram as suas responsabilidades legais e éticas, intervenham urgentemente e responsabilizem os líderes israelitas pelos seus crimes contra o jornalismo palestiniano.

“Em conclusão, o Comité das Liberdades reafirmou que o jornalismo palestiniano continuará a cumprir o seu papel profissional e nacional, apesar de todas as políticas de repressão e detenção, e que atacar jornalistas não conseguirá silenciar a verdade ou apagar os crimes.”