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EUA e Dinamarca agendam conversações sobre a Gronelândia, em meio à pressão de Trump para adquirí-la
Os comentários de Trump sobre a Gronelândia suscitaram uma condenação generalizada, com os países europeus, em particular, a alertarem que tal iniciativa poderia significar o fim da NATO.
EUA e Dinamarca agendam conversações sobre a Gronelândia, em meio à pressão de Trump para adquirí-la
Uma bandeira da Gronelândia é hasteada em Copenhaga, Dinamarca, a 8 de janeiro de 2026. / Reuters
12 de janeiro de 2026

Responsáveis dos Estados Unidos e da Dinamarca estão a planear realizar conversações esta semana sobre a Gronelândia, numa altura em que Washington pressiona para assumir o controlo do estratégico território do Árctico actualmente sob soberania dinamarquesa, segundo avançaram meios de comunicação social no domingo, citando fontes diplomáticas.

A reunião, marcada para quarta-feira, de acordo com a emissora norte-americana CBS News, surge na sequência de declarações feitas na semana passada pelo Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que disse ao Congresso, numa reunião à porta fechada, que o Presidente Donald Trump estava interessado em comprar o território dinamarquês.

Na terça-feira, a Casa Branca afirmou que os responsáveis estavam a considerar um vasto leque de opções para obter a Gronelândia, incluindo o eventual recurso à força militar.

O senador Tim Kaine, que se reuniu com responsáveis dinamarqueses na semana passada, disse no domingo acreditar que legisladores de ambos os partidos se uniriam para se opor a qualquer esforço militar para tomar a Gronelândia.

“Não o vamos fazer pela via difícil, nem o vamos fazer pela via fácil”, afirmou, numa aparente referência a um comentário anterior de Trump.

“Ou continuamos a trabalhar com a Dinamarca como uma nação soberana e aliada, e não a tratamos como um adversário ou inimigo”, acrescentou o democrata.

Desde a operação militar de 3 de janeiro, na qual forças norte-americanas raptaram o Presidente venezuelano Nicolás Maduro, a administração Trump tem endurecido a sua retórica sobre a “aquisição” da Gronelândia, argumentando que tal é necessário por razões de segurança nacional.

Na sexta-feira, os líderes dos partidos políticos da Gronelândia reiteraram a sua oposição a uma integração nos EUA, afirmando: “Não queremos ser norte-americanos, não queremos ser dinamarqueses, queremos ser gronelandeses”.

Também na sexta-feira, Trump afirmou: “Vamos fazer alguma coisa em relação à Gronelândia, queiram eles ou não, porque, se não o fizermos, a Rússia ou a China vão tomar conta da Gronelândia, e nós não vamos ter a Rússia ou a China como vizinhos”.

Acrescentou ainda, voltando a não excluir uma opção militar: “Gostaria de fazer um acordo pela via fácil, mas, se não o fizermos pela via fácil, fá-lo-emos pela via difícil”.

Os comentários de Trump suscitaram uma condenação generalizada, com os países europeus, em particular, a alertarem que uma tal iniciativa poderia significar o fim da NATO.

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