Opinião
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Presidente do Brasil, Lula da Silva, coloca o "Mapa do Caminho" de volta ao centro da COP30
Presidente Lula: “Eu não tinha dúvida de que faríamos a melhor COP de todas até agora.”
Presidente do Brasil, Lula da Silva, coloca o "Mapa do Caminho" de volta ao centro da COP30
Cimeira COP30
20 de novembro de 2025

O Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva colocou o seu “roteiro” dos combustíveis fósseis de volta ao topo das negociações climáticas da ONU em Belém na quarta-feira, apesar do fracasso de uma tentativa ousada de selar um acordo antecipado.

Lula voou para a cidade amazónica para trazer o peso da presidência para a cimeira, numa rara visita de última hora de um chefe de Estado ou de governo ao encontro anual. O Brasil, anfitrião da COP30, divulgou uma minuta do pacto na terça-feira e pressionou os negociadores a trabalharem durante a noite, na esperança de que as nações chegassem a um acordo sobre os pontos mais controversos ainda na quarta-feira — dois dias antes do fim previsto da conferência.

Lula, que investiu capital político para tornar o que chamou de “COP da verdade” num sucesso, circulou entre as salas para se reunir com ministros de vários grupos da negociação. Ele irrompeu alegremente na conferência de imprensa da noite com duas horas de atraso, elogiando Belém e o estado do Pará, gabando-se: “Eu não tinha dúvida de que faríamos a melhor COP de todas até agora.”

Em seguida, ele voltou ao seu “roteiro” para abandonar o petróleo, o carvão e o gás, que havia apresentado no início do mês, acendendo o pavio para o tom ambicioso da cimeira. “A gente vai conseguir convencer, porque numa COP a gente não impõe nada. Tudo tem que ser por consenso, tudo tem que ser muito conversado. E nós respeitamos a soberania política, ideológica, territorial e cultural de cada país. Não queremos impor nada. Queremos apenas dizer: é possível. E se é possível, vamos tentar construir juntos”, afirmou.

«Precisamos de ver todo este otimismo refletido no texto final», acrescentou a Greenpeace Brasil.

Ainda assim, há muito trabalho a fazer para chegar a um consenso, não só sobre o roteiro para abandonar os combustíveis fósseis — apoiado por uma coligação de mais de 80 países, mas contestado pelo bloco produtor de petróleo —, mas também sobre medidas comerciais e outros temas controversos. Os negociadores estão em desacordo, nomeadamente, quanto à pressão dos países em desenvolvimento para que os países desenvolvidos forneçam mais financiamento para ajudar as nações vulneráveis a adaptarem-se às alterações climáticas e a implementarem energias renováveis. A cimeira COP29, realizada em Baku no ano passado, concluiu com os países desenvolvidos a concordarem em fornecer 300 mil milhões de dólares por ano em financiamento climático, um valor criticado pelos países em desenvolvimento como lamentavelmente insuficiente, que sobrecarregam ainda mais as nações pobres com dívidas.

A COP30 deverá terminar na sexta-feira, mas as cimeiras climáticas costumam prolongar-se. Num sinal de que o Brasil quer manter o cronograma, os delegados que dormem nos dois navios de cruzeiro, que servem como hotéis flutuantes, foram instruídos a desocupar as suas cabines até sábado de manhã.

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FONTE:AFP