Forças do exército sudanês romperam na terça-feira o cerco paramilitar à importante cidade do sul de Kadugli, disseram à AFP duas fontes militares, no mais recente avanço através da região de Kordofan.
“As nossas forças entraram em Kadugli e levantaram o cerco”, afirmou uma das fontes, sob condição de anonimato, por não estar autorizada a prestar declarações aos meios de comunicação social.
Kadugli, capital do estado de Kordofan do Sul, onde as Nações Unidas confirmaram uma situação de fome no ano passado, esteve cercada durante grande parte da guerra de quase três anos no Sudão entre o exército e as Forças de Apoio Rápido (RSF), que começou em abril de 2023.
O cerco manteve a cidade rodeada por combatentes das RSF e pelos seus aliados locais, uma fação do Movimento Popular de Libertação do Sudão-Norte, liderada por Abdelaziz el Hilu.
Os aliados tinham também cercado a cidade vizinha de Dilling, que, segundo a ONU, sofreu condições de fome semelhantes, antes de as tropas do exército terem conseguido romper o bloqueio no final de janeiro.
Esta semana, o exército avançou ao longo de cerca de 100 quilómetros que separam as duas cidades.
“Após combates intensos na estrada entre Dilling e Kadugli, as nossas forças derrotaram as RSF e a milícia Hilu que as apoiava, infligindo-lhes pesadas perdas”, disse outra fonte militar à AFP.
Desde o início do conflito, a guerra já causou dezenas de milhares de mortos e deixou 11 milhões de pessoas deslocadas.
Reversão do avanço paramilitar
Meios de comunicação locais sudaneses divulgaram imagens que pareciam mostrar forças aliadas do exército a celebrar a chegada das tropas à cidade.
Desde o início da guerra, cerca de 80 por cento da população de Kadugli — aproximadamente 147 mil pessoas — fugiu da cidade, segundo a ONU, na semana passada.
Kordofan, uma região vasta, fértil e rica em petróleo, é actualmente a frente de batalha mais intensa da guerra.
Desde que tomou a última posição de resistência do exército na região ocidental do Darfur, em outubro passado, as RSF avançaram através de Kordofan numa tentativa de retomar o corredor central do Sudão.
As forças paramilitares apertaram o cerco a Kadugli e Dilling, trocaram ataques mortais com o exército em toda a região e tomaram o maior campo petrolífero do Sudão, Heglig, na fronteira com o Sudão do Sul.
A violência na região, que incluiu ataques com drones que mataram dezenas de pessoas de cada vez, levou centenas de milhares à beira da fome e forçou 88 mil pessoas a fugir entre outubro e janeiro, de acordo com dados da ONU.
Na segunda-feira, o secretário-geral do Conselho Norueguês para os Refugiados, Jan Egeland, classificou Kordofan do Sul como “a frente de batalha mais perigosa e negligenciada do Sudão”.
“Cidades inteiras estão a ser deliberadamente privadas de alimentos, forçando famílias a fugir sem nada”, afirmou num comunicado após uma visita à região.











