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MÉDIO ORIENTE
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Israelita Olmert alerta que as políticas na Cisjordânia ocupada se assemelham a uma «limpeza étnica»
“Eu digo o que penso em todos os lugares que posso, com a voz mais alta que tenho, para condenar isso, porque não é algo que se possa tolerar”, diz Ehud Olmert.
Israelita Olmert alerta que as políticas na Cisjordânia ocupada se assemelham a uma «limpeza étnica»
"Ninguém pode culpar senão os israelitas que vivem na Cisjordânia e o governo que os apoia", disse Olmert. / AP Archive
há 9 horas

O ex-primeiro-ministro israelita Ehud Olmert denunciou na segunda-feira as atrocidades cometidas por Israel na Cisjordânia ocupada, afirmando que os crescentes níveis de violência dos colonos, facilitados pelo governo israelita, se aproximam de «uma tentativa de limpeza étnica» da população palestiniana.

«Ninguém pode culpar ninguém além dos israelitas que vivem na Cisjordânia e do governo que os apoia, que estão a perpetrar hostilidades desumanas contra os palestinianos não envolvidos», disse Olmert no programa Europe Today da Euronews.

«Isto é algo que se aproxima de uma tentativa de limpeza étnica», acrescentou.

Os comentários surgiram no momento em que o gabinete de segurança de Israel ordenou um novo conjunto de medidas destinadas a reformular o quadro jurídico e civil na Cisjordânia ocupada, a fim de reforçar o controlo israelita sobre os territórios palestinianos, num contexto de níveis recorde de violência por parte dos colonos israelitas.

Anexação de terras palestinianas

As decisões aprovadas no domingo pelo gabinete de segurança de Israel conferem às autoridades israelitas mais poder para agir em áreas legalmente sob controlo total palestiniano, em violação do direito internacional. Facilitam a compra de terras na Cisjordânia ocupada por colonos israelitas ilegais.

O Ministro das Finanças extremista, Bezalel Smotrich, afirmou ao anunciar as decisões que o governo «continuaria a matar a ideia de um Estado palestiniano».

Grupos de direitos humanos alertam que a medida pode abrir caminho para mais demolições e apreensões de propriedades palestinianas, não apenas na Área C, mas em todas as áreas administradas civil e militarmente pela Autoridade Palestiniana.

Hagit Ofran, do grupo israelita de vigilância dos colonatos Peace Now, afirmou que a decisão representava um passo em direção à anexação da Cisjordânia ocupada.

«A decisão de permitir a todos os israelitas o direito de comprar terras na Cisjordânia sem aprovação do governo, sem inspeção, é também outra forma de dizer que é uma vida normal. Não são territórios ocupados, é como se fossem parte de Israel», afirmou.

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Expansão do controlo ilegítimo

De acordo com a ONU, mais de 37 000 palestinianos foram obrigados a abandonar as suas casas na Cisjordânia ocupada só em 2025, ano em que também se registaram os níveis mais elevados de violência por parte dos colonos israelitas.

Nos últimos três anos, o governo israelita reviu os planos para a construção de cerca de 50 000 unidades habitacionais na Cisjordânia ocupada, além da confiscação de 60 000 dunams (14 826 acres) de terra durante a guerra. Todos os colonatos são ilegais ao abrigo do direito internacional.

A última medida surge no momento em que as autoridades israelitas começaram a construir uma nova estrada para colonatos a norte de Jerusalém Oriental ocupada, como parte do que um responsável da província de Jerusalém descreveu como um plano mais abrangente para cortar o acesso palestiniano a grande parte da Cisjordânia central.

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Reações dos EUA e da ONU

O Presidente dos EUA, Donald Trump, opõe-se à anexação da Cisjordânia ocupada por Israel, informou o correspondente da Axios, Barak Ravid, na segunda-feira.

«Uma Cisjordânia estável mantém Israel seguro e está em consonância com o objetivo deste governo de alcançar a paz na região», disse Ravid na plataforma X, citando um funcionário da Casa Branca.

Anteriormente, Trump disse que não permitirá que Israel anexe a Cisjordânia ocupada.

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, está «gravemente preocupado» com a situação, disse o seu porta-voz, Stéphane Dujarric, em comunicado.

Ele disse que Guterres alertou que «a trajetória atual no terreno, incluindo esta decisão, está a minar a perspectiva de uma solução de dois Estados».

O Tribunal Internacional de Justiça declarou ilegal a ocupação israelita do território palestiniano num parecer histórico em julho de 2024 e apelou à evacuação de todos os colonatos israelitas na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental.

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