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Paquistão culpa a Índia pelo atentado mortal à bomba contra uma mesquita em Islamabad
A Türkiye condenou o ataque terrorista, manifestando solidariedade com o Paquistão na sua luta contra o terrorismo.
Paquistão culpa a Índia pelo atentado mortal à bomba contra uma mesquita em Islamabad
Oficiais de segurança e socorristas paquistaneses concentram-se no local do atentado bombista numa mesquita, em Islamabad, no Paquistão, 6/02/2026. / AP
há 16 horas

Pelo menos 31 pessoas morreram e mais de 169 ficaram feridas quando um bombista suicida se fez explodir no interior de uma mesquita em Islamabad durante as orações de sexta-feira, numa altura em que o Ministro da Defesa do Paquistão e o gabinete do primeiro-ministro atribuem o ataque terrorista à “Índia e aos seus aliados”.

A explosão atingiu a Mesquita Imambargah, um local de culto muçulmano xiita, situada na zona de Shehzad Town, em Islamabad.

“O atacante foi intercetado à entrada e detonou o explosivo”, disse uma fonte de segurança à AFP.

Um alto responsável da polícia afirmou que a explosão ocorreu após as orações de sexta-feira, altura em que as mesquitas em todo o país se encontram cheias de fiéis.

O número de vítimas “deverá aumentar”, disse à AFP, sob condição de anonimato.

Paquistão acusa a Índia

O Ministro da Defesa, Khawaja Asif, sugeriu o envolvimento da Índia e do Afeganistão no ataque, afirmando numa publicação na rede social X que “foi provado que o terrorista envolvido no ataque viajou de e para o Afeganistão”.

“A conivência entre a Índia e o Afeganistão está a ser revelada”, acrescentou.

Mosharraf Zaidi, porta-voz do Primeiro-Ministro Shehbaz Sharif, afirmou igualmente que o ataque à Imambargah, em Islamabad, “é apenas o mais recente de uma série de ataques terroristas assassinos orquestrados pela Índia”.

“Os aliados terroristas da Índia não irão travar a recuperação económica, nem dividir os corações dos paquistaneses, nem minar o crescente capital diplomático do Paquistão”, declarou Zaidi na plataforma X.

Índia rejeita as acusações

A Índia condenou posteriormente o ataque suicida e rejeitou as alegações de envolvimento.

“O atentado numa mesquita de Islamabad ocorrido hoje é condenável, e a Índia apresenta as suas condolências pela perda de vidas humanas que causou”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Índia, em comunicado.

O Ministério rejeitou igualmente a alegação “sem sentido”, após Islamabad ter acusado a Índia de envolvimento no ataque.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, também “condenou nos termos mais veementes” o ataque, segundo um comunicado de um porta-voz da ONU.

Crime hediondo

Ao condenar a explosão, o Primeiro-Ministro Shehbaz Sharif ordenou ao Ministro do Interior, Mohsin Naqvi, que conduzisse uma investigação “exaustiva” e identificasse “rapidamente” os responsáveis.

“Os autores do atentado devem ser identificados e levados à justiça”, afirmou Sharif, acrescentando: “Ninguém será autorizado a espalhar violência e instabilidade no país.”

O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Ishaq Dar, declarou de forma contundente: “Atacar locais de culto e civis é um crime hediondo contra a humanidade e uma violação flagrante dos princípios islâmicos.”

“Esta barbaridade não nos intimidará, e os extremistas serão responsabilizados por todos os seus actos.”

Türkiye condena

A Türkiye condenou o atentado suicida, manifestando solidariedade com o Paquistão na sua luta contra o terrorismo.

Num comunicado escrito divulgado na plataforma turca de redes sociais NSosyal, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Türkiye afirmou que “condena veementemente o ataque terrorista perpetrado hoje contra uma mesquita durante as orações de sexta-feira em Islamabad”.

O comunicado apresentou condolências às famílias das vítimas e ao povo do Paquistão, desejando misericórdia para os que perderam a vida, e afirmou que a Türkiye continuará a estar solidária com o Paquistão nos seus esforços de combate ao terrorismo.

Rússia

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, descreveu o ataque mortal como “bárbaro”, numa mensagem de condolências enviada ao Presidente paquistanês Zardari e ao Primeiro-Ministro Sharif, expressando solidariedade com o povo do Paquistão.

“O assassínio de pessoas durante uma cerimónia religiosa é mais uma prova da natureza bárbara e desumana do terrorismo”, afirmou Putin, estendendo as suas condolências pelo ataque que teve como alvo fiéis, segundo o Kremlin.

O líder russo afirmou ainda que Moscovo está pronta para “aprofundar a cooperação com os parceiros paquistaneses na área antiterrorista”, sinalizando uma coordenação mais estreita em matéria de segurança.

Condenações chegaram igualmente da China, dos Estados Unidos, do Canadá, do Azerbaijão, do Irão, do Reino Unido e de vários outros países.

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