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Sudão do Sul anuncia acordo com as partes em conflito no Sudão para controlar o petróleo de Heglig
O acordo permite que as forças do Sudão do Sul protejam oleodutos vitais, após anos de confrontos e crescentes preocupações humanitárias no Sudão.
Sudão do Sul anuncia acordo com as partes em conflito no Sudão para controlar o petróleo de Heglig
Heglig produz cerca de metade do petróleo bruto do Sudão, tornando-o um polo petrolífero crucial para a região. [Foto de arquivo] / Reuters

O Sudão do Sul alcançou um acordo sem precedentes com o exército sudanês e com as Forças de Apoio Rápido (RSF) para colocar a segurança do campo petrolífero de Heglig, no Kordofan Ocidental, sob controlo das Forças de Defesa do Povo do Sudão do Sul (SSPDF).

A área é reivindicada tanto pelo Sudão como pelo Sudão do Sul, mas administrada pelo Sudão.

O acordo confere às SSPDF a “responsabilidade primária de segurança” das instalações petrolíferas, afirmou o porta-voz do Governo, Ateny Wek Ateny, na quinta-feira, numa conferência de imprensa em Juba, a capital do Sudão do Sul.

O Presidente Salva Kiir Mayardit mediou o acordo depois de apelar às duas partes do conflito sudanês para cessarem os confrontos em torno do campo petrolífero, acrescentou Ateny.

Na quarta-feira, o chefe do Estado-Maior das SSPDF, Paul Nang, confirmou que Kiir tinha mantido conversações com o presidente do Conselho Soberano do Sudão, Abdel Fattah al-Burhan, e com o comandante das RSF, Mohamed Hamdan Dagalo, conhecido como Hemedti, garantindo um acordo que permite a entrada de forças sul-sudanesas em Heglig.

Nos termos do acordo, disse Ateny, tanto o exército sudanês como as RSF são obrigados a retirar da área.

Heglig é um centro crucial do petróleo sudanês, situado no Kordofan Ocidental, perto da fronteira entre os dois países, produzindo cerca de metade do crude do país.

O petróleo do Sudão do Sul é exportado através de um oleoduto sudanês que percorre 1.610 quilómetros até Port Bashayer, no Mar Vermelho.

Nem as autoridades sudanesas nem as RSF tinham comentado o acordo. No entanto, Omar al Digeir, líder do Partido do Congresso Sudanês, sugeriu nas redes sociais que o silêncio poderá indicar uma “confirmação não anunciada” do acordo.

Apelou ainda a que ambas as partes canalizassem a mesma vontade política para alcançar uma trégua humanitária mais ampla.

A guerra civil no Sudão

As RSF anunciaram na segunda-feira que tinham tomado Heglig e que estavam a proteger as instalações petrolíferas, alegando salvaguardar os interesses económicos do Sudão do Sul, que dependem fortemente do fluxo ininterrupto de crude através do território sudanês.

O Governo sudanês acusou anteriormente as RSF de atacarem infraestruturas petrolíferas, incluindo um ataque com drones à estação de processamento de petróleo de Juba, no Estado do Nilo Branco, a 15 de novembro, que suspendeu temporariamente as exportações.

Os três estados do Kordofan — Norte, Oeste e Sul — têm registado semanas de combates intensos entre o exército e as RSF, forçando dezenas de milhares de pessoas a fugir.

Dos 18 estados do Sudão, as RSF controlam todos os cinco estados da região de Darfur, no oeste, exceto algumas zonas setentrionais de Darfur do Norte que permanecem sob controlo do exército.

O exército, por sua vez, mantém o controlo da maioria das áreas nos restantes 13 estados do sul, norte, leste e centro, incluindo a capital, Cartum.

O conflito entre o exército sudanês e as RSF, que começou em abril de 2023, já matou milhares de pessoas e deslocou milhões de outras.

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