O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, chegou ao Senegal depois de ter sido detido durante um golpe militar no seu país, informou o governo senegalês na quinta-feira.
'Um avião foi fretado pelo Governo para se deslocar a Bissau com o objetivo de ajudar nesta operação de repatriamento. Isto permitiu a chegada em segurança do Presidente Umaro Sissoco Embaló ao Senegal', afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Senegal, numa declaração.
O exército na Guiné-Bissau nomeou, na quinta-feira de manhã, um general como novo líder do país, um dia depois de tomar o poder e suspender o anúncio dos resultados eleitorais.
O candidato da oposição, Fernando Dias da Costa, disse à AFP que acreditava ter vencido a eleição de domingo e alegou que Embalo — que também reivindicou a vitória — 'organizou' o golpe para o impedir de tomar posse.
O golpe ocorreu um dia antes da divulgação dos resultados provisórios das eleições presidenciais e legislativas.
O General Horta N’Tam, chefe do Estado-Maior do exército, foi designado como líder do país por um período de um ano.
Tomou posse no quartel-general militar, declarando: 'Acabo de ser empossado para liderar o Alto Comando.'

A CEDEAO suspende a Guiné-Bissau
Os líderes do bloco regional da África Ocidental, a CEDEAO, suspenderam na quinta-feira a Guiné-Bissau de todos os seus órgãos decisórios, segundo um comunicado divulgado após uma cimeira de emergência.
O bloco condenou a tomada de poder e apelou aos golpistas para que permitam à comissão nacional de eleições declarar os resultados da contestada eleição presidencial.
Candidato da oposição escapa à prisão
N’Tam é visto como tendo estado próximo de Embaló nos últimos anos.
Dias, que falou por telefone a partir da clandestinidade, afirmou: 'Sou o presidente (eleito) da Guiné-Bissau' e disse que acreditava ter obtido cerca de 52% dos votos.
'Não houve um golpe', alegou. 'Foi organizado pelo senhor Embaló.'
Ele disse que fugiu do seu quartel-general da campanha na quarta-feira quando homens armados tentaram prendê‑lo.
Domingos Simões Pereira, a principal figura da oposição que foi impedida de concorrer e mais tarde apoiou Dias, foi detido na quarta-feira.
O exército também nomeou o General Tomas Djassi, antigo chefe de gabinete pessoal de Embaló, como chefe do Estado‑Maior das forças armadas.
Militares reforçam o controlo
A Guiné-Bissau ficou paralisada na quinta-feira, com lojas fechadas e soldados a patrulhar as ruas.
Os novos líderes militares proibiram toda a programação dos meios de comunicação e impediram manifestações.
Cercado por soldados fortemente armados, N’Tam disse aos jornalistas que o exército agiu 'para bloquear operações que visavam ameaçar a nossa democracia.'
Afirmou que as provas eram 'suficientes para justificar a operação' e apelou à participação nacional nas 'medidas necessárias'.
As fronteiras, que tinham sido fechadas na quarta-feira, foram reabertas mais tarde e o recolher obrigatório a nível nacional foi levantado.
O Alto Comando ordenou a reabertura dos mercados, das escolas e das instituições privadas.
A União Africana condenou o golpe e exigiu a libertação imediata de Embaló, enquanto o Presidente da CEDEAO, Julius Maada Bio, classificou-o como 'uma grave violação da ordem constitucional da Guiné-Bissau'.
A União Europeia pediu um regresso célere à ordem constitucional.
A Guiné-Bissau tem sofrido vários golpes desde a sua independência em 1974, e as suas eleições são frequentemente contestadas.









