A Munich Security Conference arrancou, reunindo mais de 1.000 participantes de mais de 115 países num momento que os organizadores descrevem como de “urgência excecional”, marcado por crises sobrepostas, tensões geopolíticas crescentes e profundas mudanças sistémicas.
Muitos oradores subirão ao palco na sexta-feira, após as observações iniciais proferidas pelo Chanceler alemão Friedrich Merz.
Os debates centrar-se-ão no futuro da ordem internacional e das alianças transatlânticas, nos esforços da Europa para reforçar a sua arquitetura de defesa e segurança, no apoio à Ucrânia, na reconstrução em Gaza e nas tensões envolvendo o Irão, bem como nas questões do clima e da segurança energética, dos riscos nucleares, da inteligência artificial e da crescente instrumentalização do comércio e da tecnologia.
Cerca de 60 chefes de Estado e de Governo deverão marcar presença, incluindo o Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky.
Bem mais de dois terços dos líderes europeus confirmaram a sua participação, enquanto os EUA estarão representados com a sua “maior delegação de sempre”, composta por mais de um quarto do Senado norte-americano e liderada pelo secretário de Estado Marco Rubio.
Além disso, mais de 50 líderes de organizações internacionais participam no encontro, incluindo os responsáveis máximos da União Europeia, da NATO, da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), do Banco Mundial, da Organização Mundial do Comércio e de numerosas agências da ONU.
Antes do encontro, o relatório anual sobre segurança de Munique alertou que “o mundo entrou num período de política de demolição” e que a “ordem internacional do pós-guerra liderada pelos EUA está agora sob destruição”.
O relatório criticou aquilo que descreveu como a política de “bulldozer” do Presidente dos EUA, Donald Trump, afirmando que está a destruir a ordem internacional e a abrir caminho a um mundo moldado “pelos ricos e poderosos e por hegemonias regionais”.
Segundo o documento, a agenda disruptiva de Washington, incluindo o desrespeito pelo direito internacional e as tentativas de desmantelar regras e instituições existentes, terá um impacto profundo nas crises e conflitos em todo o mundo.



