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“Plano dos EUA para pôr fim à guerra na Ucrânia obriga Kiev a perder ou sua dignidade ou seu aliado”
O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, adverte sobre uma possível ruptura com Washington devido ao plano de 28 pontos de Trump, enfatizando que “não traímos a Ucrânia naquela época [em 2022] e não o faremos agora”.
“Plano dos EUA para pôr fim à guerra na Ucrânia obriga Kiev a perder ou sua dignidade ou seu aliado”
Trump diz que Zelensky terá que gostar do seu plano de 28 pontos ou continuar a lutar contra a Rússia. [Arquivo] / Reuters

O Presidente Volodymyr Zelensky rejeitou o plano dos EUA para acabar com a guerra na Ucrânia, afirmando que o seu país corria o risco de perder a sua dignidade ou Washington como aliado.

Com o Presidente Donald Trump a dar à Ucrânia menos de uma semana para assinar, Zelensky prometeu na sexta-feira trabalhar para garantir que qualquer acordo não “traísse” os interesses da Ucrânia.

“Este é um dos momentos mais difíceis da nossa história”, afirmou Zelensky no seu discurso.

“A pressão sobre a Ucrânia é uma das mais fortes. A Ucrânia pode enfrentar uma escolha muito difícil: ou a perda da dignidade ou o risco de perder um parceiro fundamental”, afirmou, alertando para uma ruptura com Washington.

Zelensky acrescentou que iria propor alternativas ao plano de 28 pontos de Trump.

Kiev e os seus aliados europeus ficaram surpreendidos com a proposta — que obrigaria a Ucrânia a ceder território, reduzir o seu exército e comprometer-se a nunca aderir à NATO.

Entretanto, a Rússia ganharia território, seria reintegrada na economia global e voltaria a aderir ao G8, de acordo com o projecto do plano.

Zelensky recordou como organizou a resposta de Kiev à invasão russa em fevereiro de 2022, afirmando que “não traímos a Ucrânia naquela altura, não o faremos agora”.

“Apresentarei argumentos, persuadirei, proporrei alternativas”, acrescentou.

Entretanto, na sexta-feira, Trump instou a Ucrânia a aceitar o plano da sua administração, afirmando que o seu homólogo em Kiev “terá de gostar”.

“Terá de gostar, e se não gostar, então, sabe, eles devem continuar a lutar”, disse Trump aos jornalistas que perguntaram sobre a resposta pouco entusiasta de Zelensky ao seu plano.

“A certa altura, terá de aceitar alguma coisa”, acrescentou Trump durante a reunião na Sala Oval com o futuro presidente da Câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani.

Potências europeias prometem apoio à Ucrânia

Zelensky disse, após conversas com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, que a Ucrânia continua a “respeitar” o desejo de Trump de acabar com a guerra.

Ele também fez uma chamada de emergência com os líderes alemão, francês e britânico, enquanto a Europa, excluída do processo, se apressava a responder.

O líder ucraniano planeia falar diretamente com Trump em breve, informou o seu gabinete.

O plano dos EUA prevê o reconhecimento dos territórios controlados por Moscovo como “de facto” russos, com Kiev a retirar as tropas de partes da região de Donetsk.

Kiev também limitaria o seu exército a 600.000 soldados, descartaria a adesão à NATO e não teria tropas da NATO destacadas no seu território.

Em troca, a Ucrânia obteria “garantias de segurança fiáveis” não especificadas e um fundo para a reconstrução utilizando alguns activos russos congelados em contas no estrangeiro.

Numa chamada com Zelensky, os principais aliados, Reino Unido, França e Alemanha, salientaram o seu “apoio inabalável e total à Ucrânia no caminho para uma paz duradoura e justa”, afirmou um comunicado conjunto após as conversações.

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