Vários conselhos religiosos muçulmanos em França apresentaram uma queixa-crime contra um inquérito do Ifop que, segundo eles, distorce as práticas religiosas dos muçulmanos franceses e alimenta um clima de hostilidade anti-muçulmanos em crescimento.
A queixa tem como alvo uma sondagem encomendada pela revista pouco conhecida Ecran de veille e divulgada em 18 de novembro, que afirma mostrar uma crescente 're-Islamização' entre os muçulmanos em França, sobretudo entre os mais jovens.
O inquérito destaca aquilo que classifica como comportamentos mais 'radicais' entre os jovens, incluindo frequência de orações, cumprimento do jejum do Ramadão e uso do véu, conclusões que os conselhos dizem estar enquadradas com o objetivo de reforçar preconceitos.
Em comunicado conjunto divulgado no domingo, os conselhos departamentais de culto muçulmano de Loiret, Aube e Bouches-du-Rhone afirmaram que a sondagem 'viola o princípio da objetividade' exigido pela lei francesa de 1977 sobre inquéritos de opinião, noticiou a BFM TV.
Eles argumentaram que a pesquisa se baseou em 'perguntas tendenciosas' e destacou seletivamente respostas de minorias 'para fins polémicos'.
Os advogados Raphael Kempf e Romain Ruiz, que representam os conselhos, descreveram a Ecran de veille como uma 'organização nebulosa e reacionária', dizendo que o estudo 'espalha o veneno do ódio na esfera pública' num momento em que dados oficiais apontam para um aumento acentuado de incidentes anti-muçulmanos.
Aumento de atos anti-muçulmanos
Dados do Ministério do Interior indicam que os atos anti-muçulmanos aumentaram 75% em comparação com 2024, segundo notaram.
Os conselhos afirmaram que a sondagem reforça associações indevidas e amplifica narrativas promovidas por meios de comunicação da extrema-direita.
'Esta sondagem, aproveitada por vários meios da extrema-direita, é um insulto aos muçulmanos na França e uma afronta aos valores de igualdade e fraternidade promovidos pela nossa República', diz a queixa.
A publicação suscitou amplo debate enquanto a França enfrenta tensões acentuadas em torno da identidade religiosa e do uso político do Islão.
Embora a sondagem tenha circulado entre figuras da extrema-direita como prova de uma suposta 'ameaça', organizações muçulmanas dizem que ela reflete um padrão antigo de retratar os muçulmanos franceses como um problema para a República.
O caso será agora examinado pelos promotores como parte de uma investigação preliminar.










